Se deparar com uma barbearia nos bairros de se tornou cada vez mais comum atualmente. A busca se tornar um prestador de serviço na área e até um empreendedor, tem feito com que a Capital tenha um ‘boom' de barbearias, assim como mostramos em reportagem anterior. Das técnicas de corte ao dono do próprio negócio, o Jornal Midiamax foi em busca de como ‘nascem' esses profissionais.

No Centro de Campo Grande a escola DBA (Designer Barber Academy) – que já foi pauta no Midiamax ao levar corte de cabelo gratuito aos moradores na Praça Ary Coelho – existe há oito anos e forma, mensalmente, cerca de 40 novos profissionais para o mercado em Mato Grosso do Sul. Jovens com o sonho de serem barbeiros chegam a viajar do interior para se profissionalizar no corte na Capital.

À reportagem, Hellen Fabiany, gestora da DBA, explica que os cursos de formação vão desde os intensivos, com formação em duas semanas e os que duram 3 meses. O investimento varia e é a partir de R$ 1,6 mil. A gestora comenta que o barbeiro que entra no com uma formação em mãos ele automaticamente tem um diferencial.

“Aqui na escola todos os alunos são iniciantes. Tem um ou outro que tem um conhecimento de barbearia, mas ensinamos do zero. Os barbeiros as vezes não são formados em uma escola, aprendeu com um conhecido. A escola vem para isso, trazer essa oportunidade da pessoa começar e começar muito bem a profissão dele”, diz.

Demanda por prestação de serviço

Com média de 40 novos barbeiros se formando por mês – de Campo Grande e do interior – Hellen comenta a demanda por prestação do serviço nas barbearias da Capital. “Aqui, o curso inclui os materiais e indicamos para o trabalho. O aluno ele pode sair daqui já trabalhando na área. As próprias barbearias procuram os nossos alunos formados”, relata.

Foto: Henrique Arakaki, Midiamax

Comissionados a donos do próprio negócio

Prontos para o mercado de trabalho, os barbeiros formados têm ganho relativo. Anderson Lugnani, gestor da escola, explica que o profissional ele ganha por comissão e aí, varia.

“Os barbeiros são prestadores de serviço, no mercado, eles são comissionados, eles são contratados, por 40 ou 50% de produção e ele ganha o que ele faz. Ele pode ganhar semanal, o mais tradicional, ou quinzenal. Eles fazem o próprio salário”, disse.

O gestor relata que atualmente a profissão, assim como as demais na área da beleza e estética, tem sido rentável aos profissionais que investem na profissionalização.

“O custo do curso é acessível, o tempo de formação é rápido e o curso dispõe de você resolver seu problema [financeiro] quase que imediato. Os cursos profissionalizantes são cursos muito procurados por isso. Tem muita gente hoje que não quer mais ser CLT, quer ter o próprio negócio, e a barbearia proporciona isso”, pontua.

Além da parte teórica e prática da barbearia, Anderson afirma que o aluno no curso pode também aprender a empreender e com elaborar seu marketing digital.

“Não só ensinamos os alunos a cortar cabelo, mas a ganhar dinheiro cortando cabelo. Aqui nós temos a parte do empreendedorismo e o marketing digital. A gente sabe e entende que a maioria que nos procura são pessoas que querem montar o próprio negócio”, disse à reportagem.

Mulheres na barbearia

Majoritariamente de homens, a barbearia também tem sido uma área profissionalizada por mulheres. O Midiamax já entrevistou a barbeira Camila Higa anteriormente, por exemplo, e não é diferente no curso.

A DBA recebe mensalmente inscrições de mulheres que querem aprender as técnicas de corte e, inclusive, uma das professoras da escola é uma mulher.

“Hoje em dia, a própria barbearia que vai contratar, se ela for uma barbearia maior que tem uma equipe montada, ela tem pelo menos uma mulher na equipe trabalhando. A mulher está ganhando muito espaço”, afirma Hellen.

De aluno a professor

Na escola de formação de barbeiros os professores são a vitrine do curso, pois todos eles são formados na Designer Barber Academy. Fernando Lemes, de 23 anos, é um deles.

Fernando foi aluno e agora é professor do curso de barbearia | Foto: Henrique Arakaki, Midiamax

Ele comenta que foi aluno da escola há cerca de 5 anos, se tornou professor de novos alunos, deixou a ‘sala de aula', mas retornou neste ano. Fernando diz que a barbearia mudou sua vida e ensinar a profissão para outras pessoas é engrandecedor.

“Muita gente tem uma profissão que não é valorizada, ou a pessoa não consegue estudar. Ai a pessoa consegue fazer o curso de barbeiro e muda de vida. A barbearia é fundamental para a sociedade. Virou na moda estar com o cabelo ‘na régua' e acredito que é uma atividade muito promissora. Quem tiver interesse tem mesmo que buscar aprender”, relata.