Laudo que vai determinar se adolescente é 1º caso de varíola dos macacos em MS fica pronto em 20 dias

Caso suspeito de varíola, adolescente está em isolamento na Santa Casa de Corumbá
| 01/06/2022
- 10:17
varíola dos macacos
Imagem ilustrativa - (Foto: Montagem/ Reprodução)

Os exames que avaliam se o adolescente de 16 anos, internado em isolamento em Corumbá, é o primeiro caso de paciente com varíola dos macacos em Mato Grosso do Sul ficam prontos em 20 dias. Essa é a estimativa da municipal que monitora o caso e possíveis novas contaminações.

O adolescente está internado na Santa Casa da cidade desta a segunda-feira (30), quando procurou atendimento médico no pronto-socorro da cidade. Boliviano, o menino vive no país vizinho, mas procurou ajuda em Corumbá mesmo após atendimento médico na Bolívia.

Em nota, Secretaria de Saúde de Corumbá disse ao Jornal Midiamax que o caso segue sob investigação e que o tempo estimado para a conclusão do laudo - que vai diagnosticar a doença que contaminou o paciente - é de 20 dias.

Além de exames, análise clínica também é feita por equipe médica do hospital. Segundo a secretaria, nesta quarta (1º) o adolescente se encontra em quadro clínico estável e recebe todos os cuidados necessários.

Em comunicado emitido ontem (31), a Santa Casa informou acreditar ser “pouco provável a infecção pelo referido vírus”. Os suspeitam que o adolescente possa ter Síndrome de Dress, reação adversa a medicamentos ou Psoríase Pustulosa.

Em relação às ações feitas pelo Estado e secretaria municipal para evitar disseminação da doença, a prefeitura informou que o CIEVS (Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde) acompanha a situação com orientação a profissionais de saúde da rede pública e privada.

Varíola dos macacos não é DST

De acordo com o Butantan, com base nas informações da OMS (Organização Mundial da Saúde), a contaminação pela doença já é cientificamente comprovada que ocorre através de contato com uma pessoa ou animal infectado. Esse contato, porém, não é restrito à relação sexual.

Homens, mulheres e crianças podem ser pacientes da varíola dos macacos, doença descoberta em 1958. De acordo com estudos anteriores, a transmissão entre humanos acontece pelo contato próximo de qualquer pessoa, independentemente do gênero, da idade e do contato sexual, com alguém infectado, principalmente com as lesões na pele, secreções respiratórias e vesiculares, assim como fômites (superfícies ou objetos contaminados), incluindo roupa de cama e toalhas.

Virologista do Butantan, Viviane Botosso esclarece que qualquer tipo de contato entre uma pessoa saudável e outra infectada é suficiente para que o vírus seja disseminado. “Basta um contato próximo com quem tem lesões na pele contendo o vírus ou secreções da pessoa infectada para se infectar. O vírus é bastante resistente, principalmente à dessecação [secura extrema]”.

Por fim, o instituto reforça que a varíola dos macacos nunca foi considerada uma DST.

Sintomas da varíola dos macacos e prevenção

Segundo as autoridades, o período de incubação do vírus varia de sete a 21 dias e os sintomas costumam aparecer após 10 ou 14 dias. Além das erupções cutâneas, a varíola dos macacos causa dores musculares, na cabeça e nas costas, febre, calafrios, cansaço e inchaço dos gânglios linfáticos.

Em nota emitida na semana passada, o Ministério da Saúde afirma que o melhor método de prevenção para o contágio é reforçar a higiene das mãos e ter cuidado no manuseio de roupas de cama, toalhas e lençóis usados por pessoas infectadas.

Vale ressaltar que não há tratamento específico para a doença ou vacina contra o vírus, no entanto, a vacina padrão contra varíola também protege contra esse vírus. A varíola foi erradicada no mundo em 1980.

Nos Estados Unidos, último país fora do continente Africado a registrar surto da doença no início dos anos 2000, não houve nenhuma morte causada pela doença. Segundo especialistas, esse cenário revela que com assistência adequada, a doença, apesar de grave, pode não representar uma epidemia, como a causada por vírus respiratórios, como a Covid-19.

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