O número de pessoas que se autodeclararam como diabéticas em Campo Grande cresceu 66,36% entre 2019, pré-pandemia, e este ano. Segundo dados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), no ano de 2019, 19.665 pessoas tinham em seus cadastros a informação de que eram diabéticas, o que representa uma média mensal de 1.638 casos. 

Já até a primeira semana de novembro deste ano, 29.978 se autorreferiram como diabéticos na Capital, o que resulta na média mensal de 2.725 notificações. 

O diabetes é uma doença que pode se manifestar com sintomas ou também de forma silenciosa, como foi na vida de Danielle Nascimento, de 34 anos. Ela descobriu que é diabética tipo 2 em exames de rotina. “Nem imaginava ser diabética. A princípio foi assintomática, não tenho histórico familiar”, relembra a técnica em enfermagem.

O Dia Mundial do Diabetes, celebrado nesta segunda-feira (14), é a data da maior campanha sobre prevenção e diagnóstico.

Quais os principais sintomas do diabetes?

No caso dos sintomáticos, excesso de fome e sede, urina excessiva, perda de peso, tontura, alterações visuais como visão turva, infecções recorrentes e disfunção sexual podem ser indicativos para diabetes.

Conforme explica a médica endocrinologista e professora do curso de Medicina da Uniderp, Kassia Oliveira, o diabetes é uma doença ligada à alteração dos níveis de açúcar no sangue, em patamares altos, conhecida como hiperglicemia.

“Naturalmente, o nosso organismo, através do pâncreas, produz um hormônio chamado insulina, que controla os níveis de açúcar no sangue, fazendo com que a glicose se transforme em energia. O diabetes ocorre justamente devido à falta de produção de insulina pelo pâncreas ou pela incapacidade da insulina produzida agir de forma correta no organismo [resistência insulínica], levando assim à hiperglicemia”, explica a médica.

Danielle conta que desde que descobriu o diabetes já realizou tratamento com insulina NPH e regular, antes do café e antes do jantar. Em uma consulta recente, o médico prescreveu uma medicação via oral para melhorar o tratamento com a insulina. 

Entre os cuidados, ela também faz acompanhamento com nutricionista para ter uma alimentação balanceada. 

“O diabetes não tratado gera muito desconforto e, por isso, já deixei de fazer algumas coisas, pois me sentia muito cansada mesmo sem fazer esforço. Hoje estou com a glicemia controlada e tenho uma qualidade de vida melhor”, comemora. 

Aceitar o diagnóstico é o primeiro passo

Danielle afirma que o primeiro passo para ajudar no tratamento do diabetes é aceitar o diagnóstico, mesmo sendo difícil no primeiro momento. É possível ter uma vida saudável e o mais grave na doença é a falta de cuidados. 

“Diabetes não é o fim como muitos pensam. Diabetes grave é aquela que você não cuida. Viver bem com diabetes é uma questão de escolha, é aproveitar a vida, não como se fosse seu último dia, mas como se fosse seu primeiro dia de um hábito mais positivo, eficaz e equilibrado para se viver”, ela descreve.

Doces e carboidratos devem ser evitados por pessoas com diabetes. (Foto: Pixabay)

A endocrinologia Kassia explica que as pessoas diagnosticadas com diabetes recebem orientações sobre o ajuste da alimentação, além de outros cuidados, como:

  • Evitar o consumo excessivo de carboidratos (pães, massas, doces) e bebida alcoólica;
  • Fazer refeições fracionadas, ou seja, em média a cada 3 horas;
  • Evitar longos períodos de jejum;
  • Prática de atividades físicas regularmente; 
  • Uso correto e regular das medicações indicadas pelo endocrinologista.

“Atualmente existem diversas opções de tratamento, tanto por via oral quanto injetáveis (uso subcutâneo), sendo sua indicação de forma individualizada, de acordo com o perfil de cada paciente”, explica a médica.

Quais são os fatores de risco para diabetes?

De acordo com a endocrinologista Kassia Oliveira, existem situações já identificadas que elevam o risco de uma pessoa se tornar diabética. Confira abaixo algumas: 

– sobrepeso ou obesidade;

– sedentarismo;

– histórico familiar de diabetes tipo 2 em parente de primeiro grau;

– histórico pessoal de doença cardiovascular ou hipertensão arterial sistêmica;

– excesso de triglicerídeos;

– síndrome de ovários policísticos;

– histórico de diabetes gestacional ou parto de bebê com peso acima de 4 quilos;

– pacientes com pré-diabetes.

Quais são os tipos de diabetes e diferenças?

O diabetes pode ser classificado, basicamente, nos tipos 1, 2 e gestacional.

No caso do diabetes tipo 1, a doença ocorre devido à falta de produção de insulina pelo pâncreas. Costuma ocorrer na infância ou adolescência, mas há alguns casos de aparecimento mais tardio. 

O diabetes tipo 2 costuma ocorrer na idade adulta e está relacionado com a dificuldade de ação da insulina produzida pelo pâncreas, ou seja, o hormônio é produzido naturalmente, mas não age de forma correta no organismo, o que é chamado de resistência à ação da insulina.

Já o diabetes gestacional é uma condição temporária, diagnosticada apenas durante a gestação, ou seja, a mulher com diabetes gestacional não era considerada diabética antes de engravidar e, geralmente, não permanece diabética após a gestação.

O diagnóstico ocorre no segundo trimestre da gravidez, através do teste da curva glicêmica realizado em acompanhamento pré-natal. 

Diabetes cresce nos últimos anos

Os brasileiros ficam em quinto lugar no ranking mundial de incidência de diabetes, com 16,8 milhões de doentes adultos (de 20 a 79 anos). Para os próximos anos, as estimativas apontam que o número de pessoas diagnosticadas com a doença deve crescer. Segundo o Atlas do Diabetes, 21,5 milhões devem ter Diabetes Mellitus (DM) até 2030.

De acordo com dados da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), até a primeira semana de novembro deste ano, 29.978 pessoas se autodeclararam como diabéticos em Campo Grande. Os dados foram retirados do cadastro individual dos pacientes e não representam a data do diagnóstico, mas a atualização na base do SUS coletada pelos Agentes Comunitários de Saúde.

No ano de 2019, 19.665 pessoas tinham em seus cadastros a informação de que eram diabéticas. No ano seguinte, com a implantação do sistema PEC em todas as unidades de saúde, o número passou a ser de 26.026, e 29.433 em 2021.

Na rede pública de saúde de Campo Grande, de acordo com a Prefeitura, é oferecido o uso de medicamentos tanto via oral quanto parenteral, além dos insumos para aplicação.

São distribuídas pela rede a insulina regular e NPH em todas as unidades de saúde, nas apresentações de frasco e caneta – esta última sendo exclusiva para pessoas de 0 a 16 anos e acima de 60 anos.