Dois radares está sendo instalado após três meses e meio após a mortes de Matheus Frota da Rocha, de 27 anos, atropelado pelo colombiano Carlos Hugo Naranjo Alvarez, 32 anos, no cruzamento da Rua Guia Lopes no cruzamento com a Avenida Salgado Filho, na Vila Bandeirantes. Acidente ocorreu volta das 5h40, do dia 28 de fevereiro.

Quem passa pelo local, consegue perceber que há nas duas vias, uma do lado direito, outra do lado esquerdo, a instalação de dois radares. No que fica na Rua Guia Lopes, houve a poda de galhos de uma árvore que dificultava a visão dos condutores que passam diariamente pelo local.

Matheus morreu na madrugada do dia 28 de fevereiro e o acusado foi preso horas depois, na saída para Rochedo.

(Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

Denúncia do MPMS

Conforme a denúncia apresentada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) no dia 11 de março, Carlos teria agido com dolo eventual, assumindo o risco de matar na direção de veículo automotor. Com isso, matou Matheus e tentou matar a jovem de 18 anos, “não consumando seu intento homicida por circunstâncias alheias à sua vontade”.

Ainda de acordo com a acusação, o colombiano se encontrou na madrugada do dia 28 com outros três amigos em um bar, na Rua Euclides da Cunha, no Centro. No local, ele e os amigos beberam três garrafas de whisky, com combos de energético, pagando aproximadamente R$ 1.230, conforme registrado na comanda.

Acidente vitimou Matheus – (Reprodução, Vídeo)

Ao sair do bar, Carlos dirigia a Mercedes-Benz C180 e seguiu pela Rua Guia Lopes. Por volta das 5h40, no cruzamento com a Avenida Salgado Filho, desrespeitou a sinalização semafórica de parada obrigatória, colidindo na motocicleta Honda Fan vermelha, pilotada por Matheus com a jovem na garupa, registra o MPMS.

Matheus teve a perna esquerda inteira decepada e morreu no local. A garupa foi encaminhada para a Santa Casa, em estado grave. Hoje ele apresenta algumas sequelas por conta do acidente.

O colombiano fugiu do local, deixou os amigos no Bairro Tijuca e saiu tomando rumo incerto e não sabido. Já por volta das 6h30 foi encontrado na MS-080, após o carro ficar sem combustível.

Ele foi submetido a teste de bafômetro que constatou 0,3 mg/l. Para o MPMS, Carlos agiu com dolo eventual, “uma vez que estava ciente do perigo concreto de acidente com seu veículo automotor ao dirigi-lo em alta velocidade, sob estado de embriaguez, além de desrespeitar a sinalização semafórica de parada obrigatória, colidindo com a motocicleta em que estavam as vítimas”.

Ficou concluído que Carlos assumiu o risco de matar as vítimas. Ele foi denunciado por homicídio simples, tentativa de homicídio e conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool. Foram elencadas 8 testemunhas de acusação a serem ouvidas no decorrer do processo.

Pensão e indenização

Ficou acordado na primeira audiência do caso do acidente que vitimou Matheus Frota da Rocha, de 27 anos, no dia 28 de fevereiro, no cruzamento da Avenida Salgado Filho com a Rua Guia Lopes, no Bairro Amambaí, que o colombiano Carlos Hugo Naranjo Alvarez, de 32 anos, deverá pagar pensão de R$ 800 à namorada de Matheus, que estava na garupa no momento do acidente e ficou com paralisia facial como sequela.

Após o depoimento da garupa da moto, a advogada, Valda Maria Garcia Alves Nóbrega, acabou propondo o pagamento de uma pensão de R$ 800 para a menina, de 19 anos, namorada de Matheus. O valor será para ajudar nas despesas, já que não tem condições de trabalhar no momento e está morando de aluguel com a irmã. O dinheiro será depositado todo dia 5 de cada mês.

Conforme o advogado André Luiz Cortez, ele vai apresentar perante a Justiça a indenização para que todo dano causado à jovem seja restituído, considerando também os danos psicológicos. A vítima estava na garupa da moto e presenciou o namorado morrer atropelado no acidente.

Nos corredores do Fórum de Campo Grande, Carlos ainda tentou se aproximar da jovem para conversar, mas foi retirado pelo advogado. Ele também será interrogado e prestará esclarecimentos sobre o acidente. A audiência é presidida pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri.

Chorando muito, a esposa de Matheus disse que o sinal estava aberto no momento da colisão, em seguida não lembra de nada, pois perdeu a consciência. “Estava voltando da casa da minha mãe por volta das 5h40”, lembra.

A vítima disse em depoimento que fraturou o crânio, teve uma lesão no púbis e quebrou dois dedos do pé, e que não pode andar no momento, tendo que se locomover através de uma cadeira de rodas. A jovem falou que está com uma paralisia permanente no rosto.

Ela contou ainda que seu companheiro não tinha CNH (Carteira Nacional de Habilitação), mas que a motocicleta Honda Fan vermelha era de Matheus.