Cotidiano

‘Parece o cabelo do meu s***’, diz gerente a funcionário em restaurante na Afonso Pena

Após ser humilhado em frente aos colegas, rapaz registrou B.O e pediu demissão

Gabriel Maymone Publicado em 07/05/2021, às 12h32

Jovem registrou B.O contra gerente por racismo em restaurante em Campo Grande
Jovem registrou B.O contra gerente por racismo em restaurante em Campo Grande - Arquivo pessoal

O jovem Pablo Kallew Oliveira dos Santos, de 23 anos, registrou boletim de ocorrência contra o gerente do restaurante em que trabalhava, na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. O superior disse ao funcionário que o cabelo afro dele "parece o cabelo do meu s*** quando mais novo".

Conforme o rapaz, que é negro, no mesmo dia pediu demissão e procurou a polícia para registrar o caso. Em um desabafo no seu perfil nas redes sociais, o jovem relatou as humilhações que passou no local. 

"O que aconteceu foi que um dia em questão por nosso boné estar virado para trás o GERENTE falou alto no meio do salão para virarmos para frente, que ele não tinha contratado malandro/maloqueiro "parece maloqueiro". [...] Depois disso eu evitei ao máximo não colocar o boné pra trás. E um dia resolvi lavar o cabelo, mas usaria uma touca preta… e assim fiz. [...] Cheguei no trabalho com meu cabelo solto às 10:40 e passei de frente para o mesmo Gerente. [...] Fui direto para o banheiro e coloquei minha touca e fui trabalhar. E em seguida ele veio em minha direção com ar de sarcasmo e sorrindo e disse " Ow... você sabe quem me lembrou quando você chegou com esse seu cabelo aí?" Eu disse que não sabia… "Lembrou o cabelo do meu s*** quando mais novo" (enquanto fazia menção de abaixar a calça) e saiu rindo alto pra c****...tinha 2 garçons à nossa frente e meu companheiro de copa ninguém riu porem todo mundo se assustou também. [...] Eu juro que tentei relevar… e não disse nada mesmo. [...]
Mas não consigo tratar como se não fosse nada", postou.

Na delegacia, colega de trabalho de Pablo se apresentou como testemunha e confirmou os fatos narrados pela vítima, acrescentando que não foi a primeira ofensa proferida pelo gerente.

Assim, o caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro como injúria racial. À polícia, o jovem manifestou interesse pela representação criminal do gerente. O caso  será investigado.

A reportagem tentou contato com a empresa, mas as ligações não foram atendidas. Este espaço segue aberto para manifestação sobre o ocorrido.

Jornal Midiamax