Cotidiano

Dos primeiros imunizados às 2 milhões de doses: MS chega a 6 meses de campanha de vacinação

Em janeiro MS recebia o primeiro lote com mais de 158 mil doses da CoronaVac

Mariane Chianezi Publicado em 25/07/2021, às 09h35

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Henrique Arakaki, Midiamax, de arquivo

Após quase um ano de pandemia em 2020, a boa notícia chegou aos moradores que tanto esperavam: a ciência havia conseguido criar a vacina para combater o avanço do vírus e principalmente evitar que a vida de tantas pessoas se perdessem. Há seis meses, Mato Grosso do Sul recebia o primeiro lote com mais de 158 mil doses da vacina para dar início à campanha de imunização e salvar a vida dos milhares de sul-mato-grossenses.

Com muita celebração, os primeiros quatro moradores do estado recebiam a dose da CoronaVac, vacina desenvolvida no país pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório Sinovac.

A vacinação simbólica começou com 4 pessoas: a indígena Domingas da Silva, de 91 anos, moradora da aldeia Tereré, em Sidrolândia – a 71 km de Campo Grande –, a primeira sul-mato-grossense a ser imunizada; Maria Bezerra de Carvalho, que fará 83 anos na próxima segunda-feira e é moradora do Asilo São João Bosco; o médico Márcio Estevão Midom, 43, que sozinho tratou mais de 100 pacientes com o novo coronavírus; e a auxiliar de enfermagem Sandra Maria de Lima, 40.

Dona Domingas relatou, na ocasião, um sentimento compartilhado por todos os moradores: a ansiedade para receber a primeira dose do imunizante. “Quando soube pela minha filha, que disse para virmos para eu ser vacinada, já disse, ‘vamos hoje então’. Se é para a nossa saúde, vamos. E estou aqui sentada, conversando agora”. A idosa deixou claro que sua intenção é “saber da minha saúde, da minha família e de qualquer conhecido”.

Centenários se vacinam

Em 1° de fevereiro,abria em Campo Grande o tão aguardado calendário de vacinação para aqueles que mais precisavam se proteger: os idosos. Naquela semana, moradores com mais de 95 anos tomaram a primeira dose e, sem medo da “picadinha”, os centenários foram até as unidades de saúde garantir a imunização.

No interior do Estado, duas idosas, de 100 e 107 anos, estavam entre as primeiras a se vacinarem contra o coronavírus, em Cassilândia, a 437 km de Campo Grande.

Para comprovar a idade, dona Jeronina, considerada a moradora mais velha da cidade, apresentou os documentos pessoais, onde mostraram a data de nascimento: 7 de outubro de 1913. Outra idosa centenária que recebeu a dose da vacina foi Ermantina Gouveia Barbosa, de 100 anos.

Reflexos da vacinação

Os reflexos da campanha de imunização logo começaram a aparecer. Em abril, um mês após encerrada a imunização do público com mais de 90 anos, um levantamento mostrou que o número de mortes pela doença caiu 47% em Mato Grosso do Sul, segundo a SES (Secretaria Estadual de Saúde).

Conforme os dados oficiais, em janeiro deste ano, foram registrados 34 óbitos de idosos nessa faixa etária e o número caiu para 18 em março, uma redução de quase metade do total registrado no início do ano, quando esse público ainda não havia sido vacinado.

Para quem cuida de um idoso, a vacina foi uma 'benção', mas as preocupações com o vírus ainda não acabaram. “Eu tenho 65 anos e minha mãe 91. Ela se vacinou em fevereiro e foi um alívio, pois a resguardamos em casa por um longo tempo e a privamos até de levar aos retornos médicos por medo do vírus. Um alívio saber que ela se imunizou”, comentou Maria José de Sá.

Indígenas imunizados 

Prioridade na campanha de vacinação, os indígenas também começaram a ser vacinados em Mato Grosso do Sul. Logo no final de fevereiro, duas cidades de Mato Grosso do Sul bateram a meta de vacinação.

Bela Vista, a 324 km de Campo Grande, foi o primeiro município a atingir a meta de vacinação. Em 9 de fevereiro, a gestão municipal já havia imunizado todo o público-alvo e todos os indígenas da cidade já estavam vacinados. Isto porque são 113% de índice de imunização. Então, a segunda a vacinar toda a meta de indígenas que vivem em aldeias é Caarapó, com 101% de vacinados.

Atualmente, conforme o painel Mais Saúde da SES, a população de indígenas aldeados e não aldeados soma mais de 95% de imunização.

Vacinação em massa na fronteira 

A Janssen, vacina de dose única, foi bastante almejada em MS. Em junho, o Cosems-MS (Conselho de Secretários Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul) encaminhou ofício ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para enviar o lote com 3 milhões de doses da vacina ao Estado. O objetivo seria vacinar toda a população de MS em 5 dias de modo a promover um estudo pioneiro em nível mundial. A chance de todos se imunizarem chegou a ser um dos assuntos mais falados no Twitter no país, mas logo a possibilidade "caiu por terra". O pedido foi negado. 

As doses — não os milhares que queríamos — chegaram sendo encaminhadas para a região de fronteira para que as cidades vacinassem em massa para a elaboração de uma pesquisa. Em julho, por uma semana, o estudo conseguiu atingir a meta de 90% de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose, mas a taxa de cobertura vacinal varia entre os municípios. Enquanto algumas cidades conseguiram vacinar toda a sua população, outras não conseguiram chegar perto da meta.

Ponta Porã conseguiu superar a previsão da vacinação e imunizou 105% da população. O dado é muito importante, considerando que é a segunda maior cidade da fronteira de Mato Grosso do Sul. Ao todo, Ponta Porã aplicou 37,3 mil vacinas da Janssen, de dose única. Com isso, a cidade somou 71,6% da população totalmente imunizada.

Outro município que se destaca é Antônio João, também com 105% de pessoas acima dos 15 anos vacinadas com pelo menos uma dose. A cidade chamou a atenção devido à alta procura de doses. Logo nos primeiros dias da imunização em massa, a população correu para se vacinar e as doses esgotaram rapidamente. 

Na terceira posição, Sete Quedas tem 102% de vacinados em relação à população que pode ser vacinada, ou seja, acima de 15 anos conforme a estimativa do Data SUS. Com relação às pessoas imunizadas, ou seja, que tomaram as duas doses ou a vacina de dose única, o número representa 74,5%. Na quarta posição do 'ranking' está Mundo Novo, com 96,8% da população acima dos 15 anos com pelo menos uma dose de vacina. Para fechar o 'top 5', Paranhos tem 93,5% de vacinados com ao menos uma dose.

A cidade com o menor índice de cobertura, segundo o Vacinômetro, é Porto Murtinho. O município tem 73,4% de vacinados com pelo menos uma dose em relação à população vacinável. O percentual de pessoas imunizadas é ainda menor, corresponde a 45,2% da população acima dos 15 anos. 

Milhões de doses aplicadas

Com o Estado sendo referência na agilidade da campanha de vacinação, em 20 de maio, Mato Grosso do Sul atingiu 1 milhão de doses aplicadas, entre primeira e segunda dose das vacinas. Menos de 2 meses depois, o Estado alcançou uma nova marca diante dos novos públicos sendo vacinados. 

Com a campanha disponibilizando doses de quatro fabricantes: CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e a Janssen, o estado alcançou 2 milhões de doses aplicadas no dia 11 de julho. No momento, 1.254.869 aplicações de primeiras doses; 552.417 aplicações de segundas doses e 139.048 pessoas que receberam a dose única.

Vale lembrar que, apesar do número alto, sendo a soma de todas as doses aplicadas, não representa o total de pessoas imunizadas em MS – com população estimada em 2.809.394. Atualmente, MS tem 30,57% da população geral imunizada. 

Redução nas internações

No mesmo dia em que o Estado alcançou a marca de 2 milhões de doses aplicadas, é registrada a taxa de 63,94% de pessoas internadas, a menor desde fevereiro. O secretário da SES, Geraldo Resende, atribui a queda nas internações às medidas restritivas impostas até o fim de junho e à vacinação.

"As medidas restritivas que tomamos até fim de junho, que inclusive houve contratempo no cumprimento por parte de alguns poucos municípios, aliado ao processo de vacinação em massa. Isso faz com que o cenário hoje seja totalmente diferente do que há um mês”, disse Resende ao Jornal Midiamax na ocasião.

Ainda conforme o titular da Secretaria de Saúde, em 8 de junho eram 1.339 pessoas internadas, enquanto naquele momento eram 624. A média de casos atualmente está em 700, mas o Estado chegou a ter 2 mil, explicou.

"Nosso número de mortes chegou a 50 a 60 por dia, estamos com pouco mais de 20. Sonho no dia que vamos anunciar zero óbito. Mas todo cenário tem melhorado, as medidas restritivas e vacinação em massa e célere. Hoje a noite chega a 2 milhões de vacinados. Amanhã podemos comemorar o número de vacinados com d1 [primeira dose], d2 [segunda dose], dose única", finalizou.

Jornal Midiamax