Os pássaros do Pantanal podem se tornar os heróis da batalha contra a nuvem de gafanhotos que voa da Argentina, caso os insetos cheguem a Mato Grosso do Sul. Desde o mês passado, a praga destrói plantações e já chegou ao Paraguai, que faz fronteira com MS.

No entanto, apesar do alerta oficial paraguaio, a praga não deve ser motivo de preocupações para os produtores rurais de Mato Grosso do Sul, segundo especialista ouvida pelo Jornal Midiamax.

O motivo? Cadeia alimentar. Boa parte da população de aves do Pantanal, que ocupa a região fronteiriça entre MS e Paraguai, é predadora natural da praga destruidora de lavouras e pastagens.

Embora seja uma praga cíclica nos países vizinhos, a nuvem de gafanhotos não é problema recorrente em MS. Segundo o superintendente da Agricultura do MS, Celso Martins, faz mais de 30 anos que o estado teve problemas com infestação.

Pássaros barram, homens desmatam

A gerente da Defesa Sanitária Vegetal da Iagro, Glaucí Ortiz, explica que, com a população de aves do bioma, a nuvem de gafanhoto não costuma nem atravessar a fronteira com MS.

Os insetos temem MS porque os pássaros são predadores naturais deles.

Ela ponderou, no entanto, que a ação humana e o desmatamento podem diminuir a população de aves e isso “desequilibra o ambiente”. Neste caso, seria imprevisível o comportamento da praga.

O raciocínio foi endossado por Martins. Para ele, essa é “uma questão que tem muitas variáveis: clima, vento e temperatura podem mudar ou acelerar o curso da nuvem”.

Nessa quarta-feira, o Ministério da Agricultura afirmou ter sido informado pelo Senasa (Serviço de Sanidade Agroalimentar da Argentina) que a nuvem de gafanhotos se desloca ao sul, em direção ao Uruguai, conforme previsto.

Dessa forma, a praga parece estar se distanciando, de fato, das lavouras e cidades sul-mato-grossenses.

Nuvem de gafanhotos monitorada

Mesmo assim, o Departamento de Sanidade Vegetal (DSV) da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) está atento, assim como equipes das Superintendências Federais de Agricultura.

“Com base neste cenário, estão sendo trabalhadas estratégias passíveis de adoção para eventual surto no Brasil, caso as alterações climáticas sejam favoráveis ao deslocamento da nuvem de gafanhotos para nosso país”.