Após reunião, fechamento de escola estadual será debatido em audiência no dia 2

Lideranças indígenas se reuniram na OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso do Sul) para discutir o fechamento da Escola Estadual Prof° Carlos Henrique Schrader e uma audiência deve ser realizada na próxima segunda-feira (2). A escola tem 43% de alunos indígenas e líderes se preocupam com a possibilidade de evasão. O cacique […]
| 25/11/2019
- 20:31
Foto: Gerson Walber - OAB/MS
Foto: Gerson Walber - OAB/MS - Foto: Gerson Walber - OAB/MS

Lideranças indígenas se reuniram na (Ordem dos Advogados do Brasil seccional Mato Grosso do Sul) para discutir o fechamento da Escola Estadual Prof° Carlos Henrique Schrader e uma audiência deve ser realizada na próxima segunda-feira (2). A escola tem 43% de alunos indígenas e líderes se preocupam com a possibilidade de evasão.

O cacique Josias Jordão Ramires, da Aldeia Urbana Marçal de Souza, explica que protocolou um documento de protesto sobre o fechamento da escola na OAB, junto com outras lideranças indígenas. A OAB até já publicou uma nota de protesto sobre o fechamento da escola no Jardim Flamboyant.

“[Em reunião] foi possível presenciar a angústia de todos, visto que a Comunidade que se organizou em prol de um ensino inclusivo e de qualidade, que está sendo desfacelado sem qualquer justificativa plausível e de maneira unilateral e ditatorial”, diz a OAB em nota.

Após pedido da comunidade, a OAB deve realizar uma audiência pública na próxima segunda-feira (2), às 14 horas. A audiência será em caráter de urgência com participação da Defensoria Pública Estadual, Ministério Público Estadual, Assembleia Legislativa, Poder Executivo Estadual e as Comunidades Indígenas e não Indígenas.

Fechamento da escola no Flamboyant

Segundo o Cacique Josias Jordão Ramires, o maior medo da comunidade é a desistência em massa por parte dos alunos e tudo o que eles querem é que seja cumprida a convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) que dispõe sobre os povos indígenas e tribais.

Junto com o cacique, o vice-presidente da comunidade Rodrigo Soares, alerta ainda para as dificuldades que as famílias passam e que o deslocamento desses alunos para um local distante traz também uma preocupação para a liderança.

“A gente sabe que a realidade de muitas famílias do portão para dentro das casas não é das melhores, muitas vivem com uma renda baixa, e aí tem o custo do deslocamento, porque passe de estudante atrasa. Além disso, a questão da merenda, tem muito aluno que só come na escola. Tem casa que tem 4 filhos na escola, imaginar pagar o vale transporte todos os dias por pelo menos 1 mês até esse vale transporte chegar? ”, destacou.

Sete escolas fechadas no último ano

Desde o início de 2019, sete escolas estaduais fecharam em Mato Grosso do Sul. Foram quatro escolas fechadas no primeiro semestre, uma de ensino noturno no meio do ano e mais duas anunciadas na última semana: no residencial Octávio Pecora e no Jardim Flamboyant. Por enquanto, ainda não há uma estimativa de economia com o fechamento das escolas.

Em janeiro, o Governo fechou as escolas estaduais professor Otaviano Gonçalves da Silveira Junior, no bairro Lar do Trabalhador, e a Zamenhof, no Amambaí. Antes, outras duas escolas haviam fechado: a Riachuelo, na Capital e Abadia Faustino, em Camapuã, a 135 km de Campo Grande. Em julho, o governo ainda fechou o ensino noturno na Escola Estadual José Barbosa Rodrigues, no bairro Universitário.

Escola Riachuelo, que teve o maior número de reclamações, no fim de dezembro, quando foi ‘transferida’ para um dos andares da Escola Hércules Maymone, a aproximadamente seis quilômetros de distância.

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