Prefeitura quer aumentar carga horária de médicos para pôr fim a ‘farra’ dos plantões

Médicos terão que trabalhar seis horas a mais 
| 27/04/2017
- 17:51
Prefeitura quer aumentar carga horária de médicos para pôr fim a ‘farra’ dos plantões

Médicos terão que trabalhar seis horas a mais 

A Prefeitura de Campo Grande pretende aumentar em seis horas a carga horária dos médicos, hoje são 12 horas semanais, para tentar reduzir a frequência dos plantões e, consequentemente, economizar. Para ficarem mais tempo nos postos, o município pode dobrar os salários dos médicos que passaria de R$ 2,5 mil para R$ 4,7 mil.   

Atualmente, um médico pode fazer até 24 plantões por mês, atividade adicional que pode custar até R$ 21.6 mil; cada plantão custa R$ 900. Mas com uma jornada ampliada, a lógica é de que os profissionais passariam mais tempo nas unidades de saúde e a necessidade de ‘extra’ menor. 

A falta de médicos nos postos de saúde se tornou um problema frequente na Capital. Hoje, por exemplo, apenas um plantonista foi escalado para atender no CRS (Centro Regional de Saúde) do bairro Nova Bahia, e apenas casos considerados de urgência serão atendidos. Aos demais pacientes, vai restar a peregrinação por consulta em outros bairros. Fora o descontrole dos plantões, a cidade ainda enfrenta a debandada de médicos da rede pública: 140 desistiram de trabalhar na prefeitura nos últimos três meses.

Na avaliação do médico Flavio Freitas, presidente do Sinmed (Sindicato dos Médicos), a proposta do município não resolve os problemas dos plantões, e não deve ter grande adesão, pois o aumento da carga horária de trabalho poderia afetar os vínculos que os profissionais possuem. “A Prefeitura tem que melhorar os salários, senão vai acabar perdendo mais médicos. Por isso eles estão migrando para a rede privada, o ambiente é outro.”, analisou. 

Freitas apontou que um dos pontos que devem ser modificados é em relação a gratificação dos médicos, que poderiam ser incorporados ao salário base, que segundo ele é o mais baixo do Estado. “Se tivesse um salário melhor como no Hospital Universitário, onde a maioria tem dedicação exclusiva, seria tudo bem, mas não é o caso do município, então o aumento da carga horária não pode ser obrigado. Tem que ser para quem quiser”. 

Em reunião realizada ontem, 26, na prefeitura de Campo Grande, o sindicato dos médicos apresentou a proposta que prevê incorporação do valor pago pelas gratificações o que elevaria o salário base do médico para cerca de R$ 4,5 mil. A categoria deve votar em assembleia nesta quinta-feira, 27, se aceitam a proposta do município.  

 

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