Há quase 16 anos, radialista era morto a tiros após denunciar prefeito de Pedro Juan Caballero

Morte foi tratada como uma queima de arquivo
| 20/05/2022
- 16:40
Há quase 16 anos, radialista era morto a tiros após denunciar prefeito de Pedro Juan Caballero
(Foto: Ponta Porã em Dia)

Em dezembro de 2006, há quase 16 anos, Júlio Eduardo Benitez era assassinado a tiros em Pedro Juan Caballero (PY), na fronteira com Mato Grosso do Sul. Jornalista e ex-prefeito do município paraguaio, ele foi morto em uma suposta queima de arquivo.

Júlio era conhecido como Kapelu e atuava como radialista. Ele era um dos críticos dos irmãos Acevedo, principalmente o deputado nacional Robert Acevedo, que há dois anos faleceu em decorrência da Covid.

Conforme o site Ponta Porã em Dia, Júlio foi executado com vários tiros no centro de Pedro Juan Caballero. Ele tinha acabado de sair da emissora de rádio onde trabalhava quando foi surpreendido pelos pistoleiros.

O radialista fazia críticas aos irmãos Acevedo durante os programas. A suspeita é de que se trate de um crime político, conforme declarado na época às autoridades. Ele foi morto com 14 tiros dias depois de formalizar denúncia de falsidade ideológica contra o recém-eleito prefeito da época, José Carlos Acevedo.

Em 2006, Acevedo foi eleito para o primeiro mandato, que perdura até este ano. Havia ainda outras linhas de investigação para o atentado, que não chegou a ser esclarecido.

Atentado contra atual prefeito

Vídeo mostra o momento em que os pistoleiros chegam em um carro durante o atentado contra o prefeito José Carlos Acevedo, em frente à prefeitura da cidade, nesta terça-feira (17). Acevedo conversava com um jornalista, momento em que os autores chegam em um carro branco.

Um dos autores desce pela porta do passageiro ao lado do motorista e outro pistoleiro sai pela porta traseira. De acordo com informações, três pessoas estavam no veículo. Os dois então saem do carro, momento em que ocorre o atentado a tiros.

O criminoso que desce do banco traseiro, aparentemente dá cobertura. Inclusive, no momento da fuga, o motorista sai do local com a porta traseira e do passageiro abertas e, ao perceber que o comparsa arranca com o veículo, o bandido que dava cobertura tem que correr atrás do carro.

José Carlos Acevedo segue no hospital particular Viva a Vida. Os médicos começaram a retirar a sedação do prefeito. A princípio, mais de 10 tiros de pistola 9mm foram efetuados. Acevedo foi atingido por tiros na região da cabeça, tórax e perna. Ele foi socorrido no local, colocado em uma prancha e levado ao hospital.

Logo após o crime, um carro, que pode ter sido utilizado pelos autores, foi encontrado em chamas, na saída para Antônio João, em Pedro Juan Caballero, próximo à Ponta Porã. O policiamento foi reforçado na região da fronteira. Ainda não há informações sobre os autores.

Sobrinha de prefeito foi morta em execução

Haylée Carolina Acevedo, de 21 anos, foi morta em um atentado em 9 de outubro de 2021, em Pedro Juan Caballero (PY). Ela era sobrinha do prefeito José Carlos Acevedo. Além da jovem, Omar Vicente Álvarez Grance, de 32 anos, também foi assassinado.

Eles estavam com mais duas mulheres e saíam de uma festa quando foram atacados pelos pistoleiros. Em fevereiro deste ano, um dos atiradores foi pela Senad (Secretaria Nacional Antidrogas).

Irmão culpa presidente por criminalidade

“Mario Abdo Benítez é o único responsável por tudo o que está acontecendo na cidade”, foi a de Ronald Acevedo, governador de Amambay. Indignado, o governador do estado que fica na fronteira com Mato Grosso do Sul, disse que o presidente é o único responsável pelo que está acontecendo em Pedro Juan Caballero. “Lamentável”, disse.

Os dois inclusive são conhecidos por publicamente serem contra em relação à situação do narcotráfico que gera todo tipo de violência e crimes na região da fronteira entre Brasil e Paraguai.

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