Falar “ai, que saudade” é um jeito de parar o tempo. Com Campo Grande crescendo e a vida na cidade se acelerando, será que muita gente ainda faz aquela pausa para suspirar lembrando do passado?

No Dia da Saudade, que é hoje (30), moradores da capital revelaram ao MidiaMAIS o que mais os deixa nostálgicos. Confira!

Romantismo e serestas

O presidente da Associação Sul-Mato-Grossense de Seresta, Silvio Lobo, 74, aposta que não só ele, mas muita gente sente falta do romantismo que havia antigamente na capital.

“Campo Grande sente falta do romantismo, sente falta das músicas melódicas com letras que falam à alma da paixão, do amor e da saudade. Sinto falta das praças cheias, com pessoas ouvindo músicas, do violão, da música que pode povoar os corações e despertar emoções”, diz Silvio.

As noites de serestas são memórias especiais. “Sinto falta da seresta que fazíamos em 1998 e 1999 na praça Ary Coelho. Sinto falta da seresta que apresentei durante 13 anos na praça do Rádio Clube e, ao longo de 13 anos, trouxemos quase todos os grandes ídolos nacionais do passado. Essa falta não sou só eu quem sente, acho que a população sente”, fala.

Seresteiro sente falta da movimentação que a música romântica provocava na cidade

Lojas de música da 14 de Julho

A saudade da tabeliã aposentada, Martha Barbosa Santos Pereira, 74, é abrir as janelas de casa e ser acordada pelas canções que as lojas de música tocavam em volume alto na Rua 14 de Julho.

Ela morou na Rua 14 de Julho durante parte da infância. O encantamento pela música surgiu dessa época, em que o pai também apresentou muitos clássicos à então menina Martha. “La Vie en Rose” (Edith Piaf) e “O que é, o que é?” (Gonzaguinha) são as duas preferidas.

Para enfrentar a solidão do isolamento forçado pela pandemia e passar pelo luto do marido, ouvir aquelas músicas virou terapia ou, até mais, virou um jeito de matar as saudades.

Música na 14 marcou infância de Martha Barbosa

Cinema, troca de gibis e vendedores ambulantes

Engenheiro eletricista, economista e pesquisador regional associado do Instituto Histórico e Geográfico de MS, Celso Higa, 68, é um colecionador de memórias de Campo Grande. Viveu intensamente a infância na capital e é dessa fase que vem uma das principais saudades: a das sessões no extinto Cine Santa Helena.

“Era o cinema mais popular”, conta. Um detalhe que marcou é a música instrumental tema do longa “Amores Clandestinos”, que tocava antes de todas as sessões. Ele guarda a canção num arquivo em mp3 para enviar aos amigos que compartilham da mesma saudade.

Ir ao Cine Santa Helena era mais do que ver um filme, segundo Celso. O pesquisador fala que também representava poder trocar gibis às escondidas e ouvir os bordões dos vendedores de pipoca e amendoim. Um que marcou bastante, foi o do ambulante, Juquinha:

“O amendoim é todo escolhido / o serviço é garantido / não tem chocho e nem ardido / e quem leva fica servido”

Celso Higa vai contando histórias, enquanto uma memória leva à outra

Estádio Morenão e Operário FC

Ser criança, jogar futebol e pegar carona para assistir aos jogos do Operário no estádio Morenão é uma das saudades de José Edmur Lucas Correa, 65. “Lembro de 1977, quando o time fez uma campanha invejável, maravilhosa. Todo domingo a gente ia para o estádio em caminhão, de carona, de qualquer jeito”, conta.

O garoto que antes só jogava na rua e torcia, acabou virando jogador profissional e ganhou o apelido de Muller. Atuou no próprio Operário e também no São Paulo Futebol Clube.

A época de ouro do Operário é a nostalgia com que Muller mais se apega.

Ex-jogador do Operário lembra da era de ouro do futebol em Campo Grande

E você, qual a sua saudade? Conta pra gente!

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