Perícia encontra trancas e cadeados em casa sem energia onde jovem era mantida presa

Depois de dar à luz, namorado de adolescente de 17 anos a manteve presa, com o filho de 5 meses, em uma edícula sem energia no Bairro Guanandi, região sul de Campo Grande
| 20/08/2014
- 19:56
Perícia encontra trancas e cadeados em casa sem energia onde jovem era mantida presa

Depois de dar à luz, namorado de adolescente de 17 anos a manteve presa, com o filho de 5 meses, em uma edícula sem energia no Bairro Guanandi, região sul de Campo Grande

Equipes da Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) acompanhadas dos peritos criminais estiveram no fim da manhã desta quarta-feira (20), no local onde uma adolescente de 17 anos foi mantida em cárcere privado com o filho de apenas 5 meses. A jovem morava em uma edícula que era mantida pelo companheiro, o jardineiro Dirceu Benites, de 40 anos.

O local foi periciado e confirmaram-se as trancas e os cadeados, porém as chaves não estavam no imóvel. A vítima revelou que na residência também não tinha energia elétrica, uma forma de a jovem não ter contato com o mundo externo e até mesmo ter um aparelho de celular, pois em algum momento precisaria carregar a bateria.

A jovem estava debilitada e com diversas lesões por ser agredida pelo companheiro. Já o filho não tinha sinais de maus-tratos, porém ambos passaram por exames de corpo de delito ainda na terça-feira (19). Não há uma previsão de quando os exames serão entregues ao delegado responsável pelo caso, Paulo Sérgio Lauretto, da Depca.

Crime

Segundo a vítima, em pouco tempo de namoro com Dirceu, ela já ficou grávida. Ele demonstrava carinho e atenção, além disso, falava em constituir família. A jovem disse que ele ficou feliz com a notícia da gravidez e disse que a ajudaria  no que fosse possível.

Com isso, ele a convenceu de parar de trabalhar e a levou para morar na mesma casa com a mulher e a filha. Após a jovem descobrir que ele já era casado e tinha outra família, o suspeito a levou para outro imóvel, do tamanho de uma edícula, onde a mantinha presa.

Ela não teve acompanhamento médico durante a gestação e chegou a ter o filho em um posto de saúde. A jovem, que era agredida, ameaçada de morte e acreditava que o companheiro iria tomar o filho, preferiu se calar.

Todos os dias, ele ia até o imóvel ver a vítima e o filho, conforme declarações da adolescente. A jovem aproveitou um momento de distração e escreveu um pedido de socorro, contando toda a história atrás de uma receita médica. Ela deixou o papel em uma farmácia do Bairro Guanandi, onde foi comprar um remédio para o filho.

O atendente percebeu o pedido, mas preferiu ter certeza de que não se tratava de um trote, antes de avisar a polícia. Com a denúncia, a jovem e a criança foram resgatadas.

Ainda ontem, a mulher e a filha de Dirceu alegaram em depoimento na Polícia Civil que não sabiam da existência da jovem e da criança. O caso está sendo apurado pela Depca.

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