A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, defendeu a política industrial do governo para empresários desencantados, e pediu a eles que não caiam no pessimismo”, durante sabatina organizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) nesta quarta-feira.

Os empresários também ouviram as propostas dos principais adversários da presidente: Aécio Neves e Eduardo Campos.

Nos últimos meses, a CNI alertou sobre a deterioração da economia brasileira, e reduziu a projeção do crescimento do PIB em 2014 para 1% e previu uma contração de 0,5% para a indústria este ano.

Dilma ressaltou que os “fundamentos” da economia brasileira desmentem esse pessimismo e atribuiu os problemas atuais à crise internacional, que na avaliação dela teve no Brasil um impacto mínimo.

Apesar das baixas taxas de crescimento, 2,7% em 2011, 1% em 2012 e 2,3% em 2013, Dilma afirmou que a economia brasileira não deixou de crescer e que manteve índices de desemprego “baixíssimos”, próximos dos 5%.

Ela enfatizou o volume das reservas acumuladas, US$ 380 bilhões, e garantiu que o governo protegeu a atividade industrial com créditos em condições melhores do que as oferecidas pelo mercado privado.

A presidente atribuiu a “campanhas”, que não identificou, essa “onda de pessimismo”, da qual pediu que os industriais tomem distância, pois o país se dirige para um “novo ciclo”, que será, segundo ela, de “competitividade produtiva”.

Dilma exemplificou esse clico com a reativação da indústria aval, o fomento ao setor da construção civil através de planos habitacionais e as isenções tributárias aprovadas nos últimos anos para fortalecer algumas áreas dentro do setor produtivo, como o automotivo e de eletrodomésticos da linha branca.

Mas admitiu que com uma crise da magnitude da atual “a indústria é um dos setores que mais sofreu, porque a retração das economias avançadas também gerou forte capacidade ociosa e houve luta pela colocação de bens de alto valor agregado nos mercados”.

A presidente lembrou que é possível perceber sinais de recuperação nos países avançados, mas ressaltou que esse movimento é menos perceptível no comércio internacional, e garantiu que, caso seja reeleita, manterá a desoneração e os incentivos à indústria.

Em resposta à reivindicação de uma reforma tributária, Dilma afirmou que esta será “uma prioridade” do segundo mandato, mas lembrou que é preciso passar pelo crivo do Congresso, que possui diferentes resistências e interesses na matéria.

A presidente reiterou o apoio a uma reforma política que modernize o Estado e lembrou que ano passado propôs a realização de um referendo.

E disse ser necessário “acelerar” o investimento em infraestrutura, que não passa atualmente de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto).

Sobre as críticas dos empresários à rigidez do Mercosul, que impede o país avançar em negociações comerciais individuais com outras nações ou blocos, admitiu que o Brasil deve “reforçar sua inserção no mercado internacional”.

Embora não tenha dito como, garantiu que haverá “acordos com blocos econômicos sem preconceitos” e que o governo buscará “mais inserção em mercados tradicionais, como União Europeia (UE), Estados Unidos, América Latina” e com os países do Brics, grupo formado, além do Brasil, por Rússia, Índia, China e África do Sul.

Dilma lidera as pesquisas para as eleições de outubro com 40% das intenções de voto, contra 22% de Aécio Neves e 10% para Eduardo Campos.

Esses resultados levariam as eleições de outubro para o segundo turno, em que Dilma se reelegeria com pouco mais de 40%, contra 35% de Aécio.