Dezenas de milhares de pessoas marcharam em toda a Síria na primeira sexta-feira do mês de jejum muçulmano, o Ramadã, em desafio à sangrenta repressão do presidente Bashar al-Assad contra a revolta popular.

Enquanto isso, os tanques das forças sírias bombardearam novamente a cidade de Hama, na região central do país, e se reuniram nos arredores de outra instável cidade.

Moradores de Hama temiam um aumento no número de mortos, estimado em 135 desde o início da operação militar no domingo contra a cidade de 700 mil habitantes.

Indicando a forte resistência da oposição, dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas cidade na Síria nesta sexta-feira exigindo o fim do governo de Assad e mostrando solidariedade a Hama, disseram ativistas. Durante o mês religioso do Ramadã, muçulmanos não podem comer ou beber entre o nascer e o pôr do sol.

Segundo os ativistas, as manifestações irromperam na província tribal de Deur al-Zor no leste do país, onde tanques estavam reunidos nos portões da capital provincial, na planície de Hauran, na cidade central de Homs e nos arredores rurais, na cidade costeira de Jableh, e em diversos distritos da capital Damasco.

O grupo ativista disse que um manifestante foi morto a tiros em um subúrbio de Damasco, e forças sírias também abriram fogo contra manifestantes em um subúrbio de Homs e em outra cidade no noroeste do país.

“Não estamos com medo, Deus está conosco!” gritavam os manifestantes. “Sírios levantem as mãos, não queremos Bashar!”, gritavam eles em imagens divulgadas pela emissora de TV Al Jazeera.

As operações militares contra as manifestações civis ignoraram a crescente condenação mundial à repressão, que segundo os Estados Unidos já matou 2 mil pessoas desde o início da revolta em março.

Autoridades sírias expulsaram a maior parte da mídia independente desde o início dos cinco meses de revolta contra os 41 anos do governo repressivo da família Assad, em março, tornando difícil confirmar relatos de testemunhas e comunicados oficiais.