A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) identificou indícios de irregularidades nas áreas de operações e de manutenção da empresa Noar Linhas Aéreas. A auditoria começou em 17 de julho deste ano, quatro dias após uma aeronave da empresa cair no Recife, deixando 16 mortos. O resultado da análise foi divulgado nesta sexta-feira (12). Por conta disso, a Anac manteve a suspensão das atividades da Noar.

Ainda de acordo com a agência, o processo administrativo de fiscalização foi instaurado para verificar se a companhia se mantém de acordo com os regulamentos vigentes. Foram identificadas não conformidades envolvendo descumprimento de requisitos e procedimentos relativos aos registros de manutenção, às anotações técnicas no diário de bordo e aos limites de horas mensal e trimestral dos tripulantes previstos na Lei do Aeronauta.

A Anac manteve, portanto, suspensas as operações da Noar Linhas Aéreas, que já foi comunicada sobre o resultado da auditoria. A empresa aérea recebeu prazo de 30 dias para exercer o direito de esclarecimentos e justificativas.

A agência informou, em nota, que o processo administrativo não está vinculado às investigações referentes ao acidente com a aeronave em 13 de julho. A apuração sobre as causas do acidente continuam em andamento sob responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Aeronáutica.

Caderno de bordo

O Fantástico obteve, com exclusividade, o caderno de bordo com relatos de pilotos sobre problemas de manutenção em um dos aviões da empresa aérea Noar. Segundo a reportagem, o caderno foi recebido de uma fonte anônima e contém informações sobre o outro avião da companhia, que continua a operar.

Levado junto com o diário de bordo, o caderno traz diversos registros escritos por pilotos e copilotos, relatos feitos pela tripulação sobre situações consideradas anormais e que aconteceram a bordo.

Com base nas informações, a Anac suspendeu cautelarmente as operações da empresa, para apurar se a companhia está adotando práticas que podem ferir o Código Brasileiro Aeronáutico. “Essas anotações deveriam constar no livro de registro de voo, jornada e ocorrências da aeronave e de seus tripulantes (diário de bordo)”, informou a agência.