O novo padrão de classificação do trigo brasileiro deve ser definido hoje(8), que norteará políticas públicas de preço e aquisição do governo federal a partir desta safra.

A defesa das sugestões apresentadas durante o período de consulta pública – que já foi encerrado – reúne desde ontem representantes da Conab, do Ministério da Agricultura e da Câmara Setorial de Culturas de Inverno, além de entidades e empresas que protocolaram propostas de modificação do texto original, elaborado pelo governo. As novas regras alteram classes e elevam padrões qualitativos em vigor desde 2001.

Entre as 45 páginas estão reivindicações de entidades gaúchas como Farsul, Fecoagro e Fundacep. Uma delas prega a redução do valor mínimo de força de glúten para níveis compatíveis com as condições climática no Estado.

Junto a outras características, isso determina se a farinha obtida a partir de uma cultivar de trigo servirá para a fabricação de pães, massas ou biscoitos. Atualmente, para ser classificado como tipo pão, o grão deve apresentar valor mínimo de 180 de força de glúten. Pelas novas regras, esse patamar subiria para 240.

O presidente da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, avalia que a instrução normativa que deve resultar deste debate será determinante para o tamanho da próxima safra no Estado. O texto será encaminhado para sanção do presidente Lula.

Com 400 mil toneladas sem mercado, a semeadura no Estado começa neste mês. Informalmente, a Fecoagro prevê redução de 30% na área para 600 mil hectares. O levantamento da Conab divulgado ontem aponta que a área no país segue indefinida pelo comportamento do mercado e do preço do grão.

A produção nacional da safra passada foi de 5 milhões de toneladas, resultantes da produtividade média de 2.070 quilos por hectare.