O Peru decretou, no último domingo (09), estado de emergência de saúde nacional por causa da síndrome de Guillain Barré depois que foram registradas quatro mortes e 123 casos confirmados para a doença desde o começo do ano. Além disso, 31 pacientes continuam internados. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a síndrome de Guillain Barré é uma doença rara e autoimune, o que significa que o sistema imunológico ataca parte do sistema nervoso. Essa ação afeta os nervos que conectam o cérebro com outras partes do corpo. 

O pico da doença surge entre os 20 e 40 anos de idade e a incidência anual é de até quatro casos a cada 100 mil habitantes. 

Entre os principais sintomas da síndrome está a fraqueza muscular que começa nas pernas e pode progredir para outros membros, como tronco, braços e face, com redução ou ausência de reflexos. 

Também são sintomas:

  • Sonolência;
  • Confusão mental;
  • Coma;
  • Crise epiléptica;
  • Alteração do nível de consciência;
  • Perda da coordenação muscular;
  • Visão dupla;
  • Fraqueza facial;
  • Tremores;
  • Redução ou perda do tono muscular;
  • Dormência, queimação ou coceira nos membros.

Deputada de MS sentiu fraqueza nos braços e pernas

A Síndrome de Guillain Barré pode ser desencadeada por algumas infecções, como Zika, Dengue, Chikungunya, sarampo, vírus de influenza A, hepatite A, B, C, HIV, entre outros.

Contudo, a infecção mais comum associada à doença é a Campylobacter, que causa diarréia.

A orientação do Ministério da Saúde é que, caso a pessoa apresente os sintomas, é importante procurar um serviço médico com urgência, pois a demora no tratamento leva até 15% dos casos a óbito devido a insuficiência respiratória, pneumonia aspirativa, embolia pulmonar, arritmias cardíacas e sepse hospitalar.

A procura por ajuda médica e a investigação foram essenciais para a deputada estadual Gleice Jane (PT), diagnosticada neste ano com a Síndrome de Guillain Barré, pouco antes de tomar posse na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul). 

Gleice conta que foram 14 dias entre os sintomas e nas pernas até chegar ao momento mais grave da doença e ao diagnóstico, quando foi internada. Atualmente ela passa por um tratamento e sente algumas dores, mas sem sequelas. 

“Passei por vários especialistas e um disse “isso é psicológico, isso é físico”. Você passa por vários médicos e um deles me fez algumas perguntas que me deram uma direção. Então, desde o início eu comecei a desconfiar que pudesse ser [a Síndrome de Guillain Barré], o que me deu um pouco de tranquilidade no processo”, ela relembra. 

A deputada conta que a doença é silenciosa e o diagnóstico foi uma surpresa porque ninguém da família tem a síndrome. Ela não sabe exatamente o que desencadeou a doença, mas que foi um processo infeccioso.

Os primeiros sintomas que Gleice sentiu foram febre, seguida por diarreia e fraqueza nos braços e nas pernas. Ela fez testes de dengue e Covid-19 e todos deram negativos.

“Eu fiquei internada por uma semana e foram trinta frasquinhos de imunoglobulina. Terminando esse processo, depois eu tomo uma medicação e fisioterapia. As medicações ajudam nas dores, mas a fisioterapia que é a milagrosa, que me faz me recuperar”, detalha sobre o tratamento.

Tratamento pelo SUS

O SUS (Sistema Único de Saúde) conta com tratamento para a Síndrome de Guillain Barré, que inclui medicamentos, diagnósticos clínicos e reabilitação. 

O melhor tratamento é direcionado pelo médico, contudo não é preciso tratamento de manutenção fora da fase aguda da doença.

Entre um dos tratamentos disponibilizados pela rede pública está a IgIV (Imunoglobolina Intravenosa) e do procedimento plasmaférese, uma técnica de transfusão que permite retirar plasma sanguíneo de um doador ou de um doente.