Campo Grande tem fila com mais de 8,6 mil crianças esperando por uma vaga em Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil). E um dos problemas causadores da falta de atendimento são as obras inacabadas de algumas unidades.

O problema foi denunciado na manhã desta sexta-feira (5) pela vereadora Luiza Ribeiro (PT) e o deputado estadual Pedro Kemp (PT), que realizaram uma live denunciando obras inacabadas em Emeis de Campo Grande. O local da transmissão foi o prédio abandonado de uma Emei, no bairro Nova Lima.

De acordo com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), são 12 obras paradas de Emeis, que receberam recursos federais e que resultam numa fila de espera de aproximadamente 8,6 mil crianças. Campo Grande conta hoje com 106 Emeis ativas, mas seriam necessárias 48 novas unidades para zerar a fila.

O local, que se encontra sem muros, grades, portas e janelas, tem livre acesso, e serve de abrigo para moradores de rua, usuários de drogas e até como esconderijo de criminosos e depósito para itens furtados e roubados. Vizinhos das obras reclamam da falta de segurança nos locais, que também são alvos constantes de vandalismo.

Segundo o deputado, as obras inacabadas refletem na falta de vagas na educação infantil. “Quando a gente entra numa obra parada dessa, a gente fica muito triste com o descaso e o descompromisso do poder público com essa demanda da população. Muitas mães e pais precisam trabalhar, não têm onde deixar o filho e a educação infantil é uma fase de muita importância para a criança”, afirma.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura de Campo Grande para esclarecer sobre as obras inacabadas das Emeis, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestação.

Obra de Emei está parada há 10 anos no São Conrado

Com obra iniciada há mais de 10 anos, a Emei (Escola de Educação Infantil) do São Conrado parece que nunca ficará pronta, relatam moradores. A previsão é que a construção da unidade educacional inacabada fique pronta com investimento de R$ 2,6 milhões.

A obra, localizada na Rua Lucena com a Rua Curvelo, chama atenção por estar 50% concluída: estrutura definida, salas, janelas, telhado e o que deveria ser um sistema de energia elétrica são reduto de moradores de rua, abrigo de usuários de droga e local de descarte de lixo.

Outro problema é a infestação e proliferação do mosquito-da-dengue. O terreno está abandonado, coberto por matagal e, com as telhas do prédio caindo, água acaba acumulando e gera preocupação dos moradores.

Foto: Nathalia Alcântara/Midiamax

Obra inacabada no jardim Radialista

A ordem de serviço foi assinada em 2014, mas até hoje a Emei (Escola Municipal de Ensino Infantil) do bairro Jardim Radialista – situada no cruzamento da rua Escaramuça com a rua Zé do Brejo – não foi concluída pelas gestões que passaram pela PMCG (Prefeitura Municipal de Campo Grande). Enquanto isso, o local serve para uso de drogas, furto de materiais de construção. A situação põe medo em quem mora na região.

A construção estava orçada em R$ 2.319.432,72 e seria feita pela Stenge Engenharia Ltda, empresa que já foi contratada pela gestão de Nelsinho Trad (PMDB) para a construção da Central do Cidadão e para serviço de tapa-buracos, que já foi alvo de diversas denúncias pela população.

obra inacabada, Campo Grande MS
Obra inacabada no jardim Radialista, em Campo Grande (Foto: Nathalia Alcântara / Jornal Midiamax)

Emei abandonada no Jardim Anache virou ponto de drogas

Na rua Nazira Anache, no Jardim Anache, uma Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) foi “tomada” pelos usuários de droga. A creche foi construída para atender a população da região, mas não chegou a ser inaugurada e, desde então, ficou abandonada, virando alvo fácil para o consumo e esconderijo de alguns usuários.

Uma leitora do jornal chegou a relatar que mesmo durante a luz do dia, os usuários de droga permanecem dentro da creche e o medo começa a tomar conta porque os moradores saem para trabalhar bem cedo.

Emei parada no Indubrasil

No bairros do Núcleo Industrial de Campo Grande, apenas uma creche funciona e a Emei (Escola Municipal de Educação Infantil), que deveria ser concluída há quase dez anos, está parada e virou um local perigoso, pois pode abrigar bandidos e pessoas mal intencionadas.

De acordo com a Semed, a Emei no Jardim Inápolis está na parte burocrática, na fase jurídica para depois começar as obras. A empresa MRL venceu a licitação para retomada da obra.

Foto: Kísie Ainoã/Midiamax