Cobertura vacinal não chega a 16% para crianças e UPAs atendem 5 mil ao dia em Campo Grande

Cobertura vacinal contra covid-19 e influenza podem estar atrelados à lotação de emergências em Campo Grande
| 26/05/2022
- 08:32
atendimentos a crianças
Imagem ilustrativa - (Foto: Leitor Midiamax)

A procura por atendimentos a crianças cresceu exponencialmente nas últimas semanas em unidades de de Campo Grande. São realizados uma média de 5 mil atendimentos pediátricos em UPAs e CRSs da Capital, que não consegue passar a barreira dos 16% de cobertura vacinal contra covid-19 ou influenza. Além do tempo e mudanças bruscas de temperatura, a baixa adesão à vacinação e o reaparecimento de vírus comuns podem estar atrelados a esta alta, dizem especialistas.

Dados disponibilizados pela Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) mostram um aumento de 347% no número de atendimentos pediátricos, que saiu de 1.117 diários para 5 mil em um período de quatro semanas. Para o infectologista e pesquisador da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), Júlio Croda, a adesão baixa à vacinação infantil contra a covid-19 e influenza, pode estar atrelada a este aumento.

Croda explica existirem quatro vírus responsáveis pelo aumento na procura por atendimento pediátrico: Sincicical respiratório, da Influenza, Rinovírus e Covid-19. Dentre eles, dois possuem imunizantes disponíveis na rede pública de saúde. Entretanto, o Sincicical respiratório e Rinovírus ainda não dispõem de imunizantes fabricados.

Cobertura vacinal

Conforme a Sesau, 9.153 crianças com faixa entre 6 meses a menores de 5 anos receberam o imunizante contra a influenza em Campo Grande. Entretanto, o estimado apto para receber a vacina é de 57.428, gerando uma adesão de apenas 15,94%. Dados do Painel Mais mostram um cenário parecido na imunização contra a covid-19: apenas 12.778 crianças, das 90 mil aptas, se vacinaram com as duas doses, apenas 14,35% de cobertura vacinal.

O infectologista Júlio Croda comenta que uma cobertura vacinal maior no município poderia reduzir os números apresentados pela secretaria, mas ainda não conseguiria resolver a superlotação nos postos. “Se você tem vacina para influenza e covid, sendo a segunda e quarta causa de internações, é possível diminuir essa demanda. Entretanto, não irá resolver a superlotação, porque temos os outros vírus ainda sem vacina”, comentou.

Para o especialista, uma medida plausível e de fácil implementação seria o uso de máscaras em unidades escolares, evitando a proliferação dos vírus entre os alunos sem cobertura vacinal. “Muitos municípios retomaram o uso de máscaras nas escolas”, finalizou.

Em nota, a Sesau afirma não ser possível atribuir exclusivamente a baixa adesão do público infantil à vacinação como causa do aumento na procura. “Existem diversos fatores que contribuem para tanto como a exposição das mesmas a outros vírus e também a oscilação brusca da temperatura que acaba desencadeando problemas respiratórios e outras patologias por conta da imunidade estar comprometida”.

Rede particular também sofre com lotação

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Sem cobertura vacinal, opção é retorno do uso de máscaras em escolas (Ilustrativa)

O problema da alta na procura por atendimento pediátrico também afeta os hospitais e clínicas particulares de Campo Grande. Conforme noticiado no Jornal Midiamax pacientes de hospitais particulares alegam ter esperado mais de cinco horas por atendimento. “Cheguei 18:30 e sai 22h medicado e com exames feitos. Tinha uma senhora que chegou 13h e saiu junto comigo”, comentou uma paciente que optou pelo anonimato.

“Eu achei que meu caso era grave, mas demorou um pouco para ser atendida. Meu marido reclamou e me atenderam uns 20 minutos depois. Eu entrei em desespero. Estava bem cheio, a maioria gripado”, disse outra paciente que também preferiu não se identificar.

Em nota, a Cassems informou que, nos últimos meses, houve o aumento de pacientes com sintomas gripais na unidade. Esse aumento tem sido observado desde março. Por esse motivo, é possível que o tempo de espera para atendimento seja um pouco mais longo.

“O Hospital Cassems de Campo Grande segue rigorosamente o Protocolo de Manchester, no qual os pacientes são atendidos de acordo com a gravidade de cada caso. O plano de saúde disponibiliza, ainda, atendimento nos Centros Ambulatoriais da sua Rede Própria. A Caixa dos Servidores tem trabalhado, por meio de medidas administrativas e assistenciais, para sanar essa demanda. O plano de saúde conta com a compreensão dos beneficiários”.

A Unimed também confirmou que o aumento significativo de atendimento nos Prontos Atendimentos Adulto e Pediátrico do Hospital Unimed Campo Grande foi impactado por casos relacionados a doenças respiratórias e dengue.

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