Cotidiano

É mais transmissível? MS corre riscos? Confira o que se sabe sobre a variante Ômicron

Considerada variante de preocupação, Ômicron já tem causado impactos e aumenta cautela com réveillon e Carnaval no Estado

Mylena Rocha Publicado em 30/11/2021, às 13h45

Medidas de prevenção continuam essenciais: distanciamento, máscaras, álcool em gel e vacinação.
Medidas de prevenção continuam essenciais: distanciamento, máscaras, álcool em gel e vacinação. - Leonardo de França/Midiamax

Desde que foi descoberta, a nova variante do coronavírus tem aumentado a preocupação entre autoridades de todo o mundo. ‘Batizada’ de Ômicron, ela é considerada uma variante de preocupação e já tem causado impactos em Mato Grosso do Sul antes mesmo de ser identificada no país. Com o surgimento da nova cepa, autoridades em MS têm repensado a realização do Carnaval e a Secretaria de Saúde se preocupa até com as aglomerações no réveillon. 

Com 50 mutações, a nova variante preocupa porque ainda não se sabe se ela pode acabar ‘driblando’ a imunização, já que as vacinas foram desenvolvidas de acordo com a cepa original do coronavírus. Mas, afinal, o que a ciência já sabe sobre a nova variante? Identificada na África do Sul, a Ômicron tem causado temor justamente porque ainda não há informações se as vacinas utilizadas atualmente serão efetivas contra esta nova variante. 

Especialistas apontam que o ritmo de transmissão da nova cepa é superior ao de outras, como a variante Delta. Contudo, a informação se refere à África do Sul, que tem uma taxa de imunizados inferior ao Brasil. Ou seja, ainda não é possível dizer se a nova variante vai ser transmitida tão rapidamente em países com maiores taxas de imunização. Com o surgimento da variante, a preocupação cresceu em todo o mundo sobre os cuidados com o coronavírus, mas é importante lembrar que a Ômicron ainda não registrou morte de pacientes.

Até o momento, não foram identificados casos da variante Ômicron no Brasil. Para tentar frear a chegada da nova variante, voos com origem de países do sul da África não podem mais desembarcar no Brasil. Voos vindos da África do Sul, da Botsuana, de Eswatini, de Lesoto, da Namíbia e do Zimbábue não podem desembarcar.

Como ainda não há informações sobre a resistência da nova variante à vacinação, as medidas de prevenção ao coronavírus continuam essenciais. A vacinação continua sendo fundamental: com 89% dos adultos imunizados com duas doses, chegou a hora de tomar a dose de reforço. A 3ª dose está liberada para toda a população adulta que tomou a D2 há pelo menos quatro meses. 

MS deve se preocupar? 

Apesar da nova variante ainda não ter sido identificada no território brasileiro, autoridades já têm demonstrado preocupação com eventos de aglomeração, como o Carnaval 2022 e até mesmo o réveillon que se aproxima em Mato Grosso do Sul. A posição da SES (Secretaria de Estado de Saúde) é de precaução, reuniões serão realizadas para definir a realização do Carnaval no interior de Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, a folia não deve acontecer. 

“A posição nossa é de precaução contra qualquer evento, seja réveillon, seja Carnaval, que possa levar a aglomerações. O mundo todo está apreensivo com o que está acontecendo na Europa, fruto de uma onda de não vacinados, e agora essa mutação descoberta na África do Sul, a Ômicron, alerta a todos nós”, reforçou o secretário Geraldo Resende. 

De olho na variante Ômicron, Campo Grande voltará a instalar barreiras sanitárias no aeroporto e na rodoviária. O objetivo é testar contra covid e monitorar passageiros vindos, principalmente, da Europa e de São Paulo. O anúncio foi feito pelo prefeito Marquinhos Trad (PSD), na manhã desta terça-feira (30). De acordo com o prefeito, ainda não foi definida a data nem detalhes operacionais de como irão funcionar essas barreiras, mas a implementação deve ocorrer em breve.

Para proteger população, especialista recomenda 3ª dose em MS

Considerando uma das taxas de imunização mais altas do país, com 70% da população geral imunizada e 89% dos adultos com as duas doses tomadas, MS conquistou uma posição considerada ‘confortável’ na pandemia, com uma média móvel de mortes abaixo de dois. Mesmo assim, o infectologista da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Julio Croda, avalia que uma nova variante oferece riscos.

“Com certeza [há riscos]. Ainda não temos dados em relação ao escape da resposta imune, então todo cuidado é pouco neste momento, principalmente para reduzir a transmissão”, reforça o médico.

A população pode fazer a sua parte comparecendo aos postos de imunização para deixar a vacinação em dia. Nesta terça (30), Campo Grande aplica a 3ª dose para toda a população acima de 18 anos. Para o infectologista Julio Croda, a dose de reforço se tornou ainda mais importante, diante do risco de uma nova variante do coronavírus. 

Jornal Midiamax