Cotidiano

#Retrospectiva2020: O ano da pandemia também foi de ajuda, recomeço e solidariedade

Olhando rapidamente na internet não é difícil encontrar postagem com a seguinte frase: “acaba logo 2020!”. Os 365 dias se passaram e o ano chegou ao fim, pode até ser difícil de acreditar, mas pegue no calendário, a virada está próxima, e então poderemos dar tchau para 2020. Um ano atípico, difícil, triste para muitos, […]

Gabriel Neves Publicado em 24/12/2020, às 07h20 - Atualizado às 12h48

Jovem realizando doação em vaquinha online. (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)
Jovem realizando doação em vaquinha online. (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax) - Jovem realizando doação em vaquinha online. (Foto: Henrique Arakaki/Midiamax)

Olhando rapidamente na internet não é difícil encontrar postagem com a seguinte frase: “acaba logo 2020!”. Os 365 dias se passaram e o ano chegou ao fim, pode até ser difícil de acreditar, mas pegue no calendário, a virada está próxima, e então poderemos dar tchau para 2020.

Um ano atípico, difícil, triste para muitos, de superação para outros, onde muitas pessoas conseguiram enxergar o próximo com mais verdade, onde a compaixão foi testada ao limite, e essa mesma compaixão de alguns, serviu de combustível para que outros pudessem realizar sonhos e vencer batalhas.

Izabela Ricci Freitas, 29 anos, sabe bem como é vencer uma luta graças a ajuda e solidariedade de outros. Ela, paciente renal crônica e com diabetes, havia acabado de vencer uma luta contra o coronavírus, após 17 dias entubada, era necessário encarar uma nova guerra, realizar um transplante de rim e pâncreas.

Para a cirurgia, que seria realizada em São Paulo, Izabela necessitava de R$ 10 mil e sem o dinheiro em mãos surgiu a ideia de criar uma vaquinha online. Em quatro meses, após contar com a ajuda dos amigos, ter a vaquinha publicada no Jornal Midiamax, o dinheiro foi arrecadado.

Emocionada, ela contou da felicidade ao conseguir arrecadar todo o dinheiro, felicidade que contagiou toda sua família. “Fiquei muito feliz, achei que não ia alcançar tão cedo, todo mundo da família ficou vibrando e mandando print”.

Voltando alguns meses, lá no primeiro trimestre do ano, você se lembra? Quando máscaras ainda não eram obrigatórias e o coronavírus era uma situação que ainda iríamos enfrentar – as vezes parece que isso faz décadas – foi nesse período que uma vaquinha online surgiu, dessa vez para ajudar o pequeno Bernardo Henrique Tavares de, até então, apenas 7 meses.

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Foto comemorativa de 1 ano de Bernardo. (Foto: Redes Sociais)

Bernardo foi diagnosticado com uma obstrução na uretra, ele necessitava realizar duas cirurgias, no rim e bexiga, no valor de R$ 10 mil cada. Meses depois, com vaquinhas online e ajuda de amigos, a mão de Bernardo, Bruna Tavares, não cansa de postar fotos com o filho e esbanjar felicidade nas redes sociais.

“Deus em sua graça me concedeu o maior presente do mundo, ser mãe do Henrique! Não foi fácil, passamos pelo vale da sombra da morte na gravidez, ficamos internados inúmeras vezes mas revivemos pela vontade do pai e o meu maior amor nasceu para nos curar e alegrar. Deus nos mandou anjos que nos ajudam até hoje e o Bernardinho hoje faz tratamento e em nome de Jesus isso tudo vai passar e reescreveremos uma nova história”, escreveu a mãe.

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Sara e Geovana nasceram com retinopatia da prematuridade. (Foto: Reprodução)

Sara e Geovana, com apenas 50 dias, já conseguiram sentir e contar com a solidariedade de diversas pessoas. As duas nasceram com retinopatia da prematuridade, uma forma de lesão não inflamatórias da retina ocular, e para o tratamento, a família também pedia R$ 10 mil reais em uma vaquinha online.

Hoje, entrando na vaquinha, quase todo o valor foi arrecadado, são R$ 8,4 mil que serão utilizados para cuidar e tratar as irmãs.

Em abril deste ano, Jackson Júnior, 19 anos, viveu momentos de terror ao ser prensado por dois caminhões enquanto trabalhava em Campo Grande. Após o acidente, consultas, tratamento e cirurgias seriam necessários e para custear tudo, o jovem montou uma vaquinha de R$ 5 mil.

O dinheiro não foi todo arrecadado, mas o pouco que conseguiu já serviu para que Jackson desse inicio ao tratamento e realizasse os procedimentos mais urgentes.

“O dinheiro deu para pagar alguns exames, as primeiras consultas, graças a isso eu não corro riscos, ainda preciso fazer mais uma cirurgia, porque sinto dores na hora de urinar, mas no início, esse pouco que consegui me salvou”, comentou.

“Eu não tenho nem palavras para agradecer quem me ajudou, pessoas de bem longe enviaram a doação, algumas pessoas não puderam ajudar com dinheiro, mas rezaram por mim, foi muito gratificante tudo isso, eu realmente agradeço muito cada uma dessas pessoas”, complementou o jovem.

Laiane da Silva, 20 anos, também ficou impressionada com a ajuda recebida por outras pessoas, ajuda essa que a salvou de tumor na mandíbula. Sem tempo para esperar pelo SUS (Sistema Único de Saúde), ela precisava de R$ 6,5 mil para realizar um procedimento cirúrgico com urgência.

Em apenas um mês, Laiane conseguiu todo o valor que necessitava para pagar a cirurgia. “Muitos amigos, familiares, amigos de familiares e até pessoas desconhecidas me ajudaram, gente que mora em Campo Grande, Glória de Dourados e diversas outras cidades do estado me ajudaram. Além da vaquinha, algumas pessoas realizaram doação por transferência, fizeram rifas, almoços, tudo para que eu pudesse arrecadar o dinheiro”, contou.

Após quatro horas em uma mesa de cirurgia, Laiane está livre do tumor, com penas restrições alimentares, está bem, feliz e agradecida por todos aqueles que a ajudaram a vencer esta batalha.

“É bom saber que existem pessoas que ajudam os outros, um mundo onde cada um pensa só em si mesmo, ai ver que existem aqueles que ajudam o próximo é ótimo”, disse.

O pequeno João Noah, 1 ano, precisa de ajuda para realizar exames. A suspeita? Tumor no cérebro ou microcefalia. A mãe resolveu vender cachorro quente para arrecadar o dinheiro e após pedir ajuda e ter sue caso publicado no Jornal Midiamax e algumas doações, o pequeno já realizou todos os exames necessários e aguarda a consulta com o médico.

Animais também pediram ajuda

E se engana quem imagina que apenas pessoas contaram com o carinho e solidariedade neste 2020. Laika foi resgata em novembro deste ano, debilitada, com falta de peso e sentindo tanta fome que não conseguia nem mesmo andar. A cadela foi adotada por Sylvia Aparecida e Deroci da Silva.

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Laika após ser resgatada. (Foto: Arquivo/Midiamax)

Os dois pediam R$ 6 mil para custear o tratamento de Laika, apesar de não arrecadar todo o dinheiro, a mais nova integrante da família não foi abandonada e segue firme na sua luta pela vida.

O casal conta que a pequena já um membro da família, está melhorando aos poucos, saiu da sonda e está se alimentando com comida especial. “Na semana passada passou por outra transfusão de sangue e sfez outro exame pra ver se o rim volta a funcionar melhor”, contou o casal.

Um sonho sendo realizado

Em 2020, não foram apenas batalhas vencidas com ajuda de outras pessoas. Muitos contaram com essa mesma vontade de ajudar, para que seus sonhos fossem realizados.

Situação vivenciada por Luana Kelly do Nascimento, uma jogadora de basquete feminino de Mato Grosso do Sul, que recebeu a oportunidade de mostrar seu talento, estudar e praticar o esporte no Estados Unidos.

Oportunidade rara e ao mesmo tempo cara, mas Luana não desanimou ao colocar os valores no papel, e para dar o ponta pé inicial no seu sonho partiu para a internet, contou sua história e montou um vaquinha.

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Luana Kelly durante partida. (Foto: Arquivo Pessoal)

A meta na vaquinha era R$ 9 mil, valor arrecado em apenas oito dias. “Quando criei a vaquinha foi apenas uma tentativa, eu não acreditava muito, pois conheço casos que não conseguiram a valor pedido, mas em apenas dois dias já consegui 50% do valor e isso me deixou muito animada”.

“Muita gente começou a compartilhar vaquinha no instagram no facebook, primeiro meus amigos e parentes, mas depois gente que eu nem conhecia estava compartilhando, em oito dias eu já consegui todo o dinheiro”, explicou.

Agora, com o valor, Luana já consegue arcar com as passagens, viagem e visto para os EUA, e pretende iniciar as aulas e treinos em agosto de 2021, inicio do ano letivo americano.

E por falar em tempo recorde, Franciele Gimenes, mãe do pequeno Cleomar, conseguiu um aparelho de TV em apenas uma semana. O aparelho seria utilizado para que a criança pudesse assistir as aulas da Reme (Rede Municipal de Educação) durante a pandemia.

No começo foi um pouco frustrante, muitas pessoas entraram em contato comigo falando que doariam uma TV, mas não apareciam, mas em uma semana um rapaz apareceu aqui em casa com uma TV que ele tinha guardada”, disse Fraciele.

Alegre em ver seu filho estudando ela contou entusiasmada que a criança assiste a todas as aulas e faz todas as atividades solicitadas. “Eu não consigo ensinar muito pra ele, eu só tenho até a segunda série e agora assistindo os professores fica muito melhor para que ele aprenda o conteúdo”.

Não conseguimos tudo, mas o suficiente

Como muitos casos relembrados acima, nem todas as pessoas conseguem todo o valor necessários ou esperado, mas o pouco que recebem já o suficiente para sair de uma situação critica e ganharem força e coragem para continuar a jornada.

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Bar de Juvenal após ser destruído em incêndio. (Foto: Arquivo Pessoal)

Juvenal de Souza, 57 anos, e sua esposa Isabel Duarte de Souza, 53 anos, são grandes exemplos disso. Em agosto, o casal perdeu viu o fogo levar sua única fonte de renda, um bar localizado no Conjunto Aero Rancho.

Para reconstruir não sereia nada fácil. No papel, o valor de R$ 40 mil assustou o casal e seus filhos, que não desanimaram e correram para arrecadar o máximo necessário.

Três filhos, divididos em duas funções, almoços e doações. No final ainda não foi possível arrecadar todo o valor, foi pouco menos de 1/4 da meta, mas o suficiente para um recomeço e um sorriso nos rostos de Juvenal e Isabel.

“Nós conseguimos montar um bar provisório para meu pai, não é como o antigo, mas ele já consegue vender seus produtos e ganhar seu dinheiro, com o tempo vamos arrumando o antigo que pegou o fogo. O importante é que meus pais voltaram a ter sua própria fonte de renda”, contou uma das filhas do casal.

Vitória Rocha e Jéssica Gama, as duas com 19 anos, também precisaram contar com ajuda de outros para levar um projeto, criado por elas, para a Dinamarca. A dupla desenvolveu um site adaptado para pessoas com deficiência intelectual e/ou motora.

Com menção honrosa, o projeto foi visto pelo mundo todo e um inesperado convite apareceu. A ASTRA, uma das maiores feiras de criatividade e pesquisa do mundo, na Dinamarca, queria o projeto das meninas apresentado em outro continente.

Para isso seriam necessários R$ 15 mil, o valor ainda não foi todo arrecadado, mas existem motivos, a pandemia cancelou a feira e ainda não existe data remarcada.

“Como a feira foi cancelada, nós paramos com a vaquinha, não pedimos mais para ninguém, pois não sabemos se ela vai voltar e se voltar se realmente o nosso convite estará de pé, mas caso aconteça vamos voltar com a vaquinha”, comentou Jéssica.

Apesar de terem conseguido apenas R$ 1 mil, Jessica não mostra desanimo e revela que isso já soa como uma vitória.

“Mostrou que outras pessoas entenderam a importância do projeto e da pesquisa. Por mais que o Brasil possua pesquisas e feiras voltadas para projetos científicos, falta reconhecimento e investimento para os estudantes e professores, de certa forma a arrecadação deu visibilidade a nossa causa também”.

Jornal Midiamax