Unidade realizará homonoterapia, atendimento psicológico e assistencial

 

A subcoordenadora de Políticas Públicas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) de Campo Grande, Cris Stefanny Venceslau, afirmou na noite desta terça-feira (17) que o ambulatório de atendimento especializado as pessoas travestis e transsexuais será implementado em Campo Grande até o fim do ano. A declaração aconteceu durante a entrega do Plano Municipal de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos LGBT ao prefeito Alcides Bernal, no Dia Internacional de Combate à Homofobia e à Transfobia.

De acordo com Cris Stefanny, o movimento LGBT de Mato Grosso do Sul já negocia há muito tempo com a Prefeitura e governo do Estado quanto à criação de um ambulatório que atenda travestis e transexuais que recorrem à hormonoterapia, e após trabalho sistemático conseguiram o aval de todas as instâncias, inclusive do Conselho Municipal de Saúde, para a implantação da unidade.

Ambulatório para travestis e transexuais em Campo Grande deve sair até o fim do ano“Está quase certo que até o fim do ano, possivelmente em julho, sairá o ambulatório. Já é uma pauta que está caminhando, que já tem projeto, que já tem, inclusive, a cotação orçamentária e parcerias, que serão com o Hospital Universitário e o governo do Estado”, explica a coordenadora.

De acordo com Cris Stefanny, a implantação da unidade não depende especificamente do município, já que é necessário aporte de recurso tanto federal como estadual. Ou seja, o Estado e a federação precisam dar contrapartida, de forma que a Capital receba, inclusive, pacientes de outros municípios. “A implantação do ambulatório enfrenta resistência muito maior da sociedade, mas as pessoas não entendem que essa unidade trata de uma questão de saúde pública, já que há uma série de atenções à pessoa trans que precisa de uma equipe multidisciplinar, devido ao uso da hormonoterapia”, explica.

Terapia hormonal

O ambulatório de atendimento especializado as pessoas travestis e transsexuais é um local que dispõe de médicos especialistas em endocrinologia, urologia e ginecologia, além de assistentes sociais, psicólogos, fonoaudiólogos e outras especialidades de saúde. Lá, travestis e transexuais que queiram iniciar a hormonoterapia terão suporte clínico para efetuar o processo com segurança, além de atendimento assistencial e psicológico. Inicialmente, o ambulatório não atenderá para cirurgias de redesignação genital. “Somente colocaremos isso em pauta quando o Estado assumir algumas responsabilidades orçamentárias, que vão desde medicamento à estrutura”, disse a subcoordenadora de Políticas LGBT, que também destacou que todos os trâmites de recursos já foram feitos. “O que falta são normativas internas, apenas. O HU (Hospital Universitário) possivelmente receberá a unidade”.

Durante o governo do prefeito Nelson Trad Filho, as negociações com o movimento LGBT para a implantação do ambulatório indicavam que o local para atendimento da população LGBT seria o CTA (Centro de Triagem e Monitoramento), onde realizam-se exames de DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis). Na época, o movimento foi contra, devido à estigmatização que travestis e transexuais enfrentariam.

“Além do CTA ser um posto de atendimento de toda a população, o problema dos LGBT não está somente em doenças sexualmente transmissíveis. Temos uma série de questões de saúde e de atendimento psicológico que são muito maior que o oferecido no CTA, concluiu Cris.