Cotidiano

Alimentação nas escolas engorda e pode provocar doenças, diz nutricionista

30% da alimentação dos pequenos é industrializada

Kemila Pellin Publicado em 14/02/2016, às 11h25

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30% da alimentação dos pequenos é industrializada

O cardápio das escolas e centros de educação infantil em Campo Grande está deixando a desejar quando o critério é alimentação saudável. Segundo a nutricionista Graziela Reis, apesar de possuir uma certa variedade de alimentos, incluindo frutas e verduras, a base das refeições, por exemplo a carne, contém bactérias que podem causar intoxicação alimentar, hipertensão e obesidade. O fato se torna ainda pior se lembrarmos que Mato Grosso do Sul está entre os cinco maiores produtores de carne do país, ou seja, nossos filhos não tem direito ao alimento que nós mesmo produzimos.

Segundo a nutricionista, a carne utilizada na alimentação diária da Reme (Rede Municipal de Ensino), é industrializada, como descrido na prestação de contas da Prefeitura, o que pode causar diversos problemas a saúde, principalmente da criança, por estar em fase de desenvolvimento. “Esse tipo de alimento contém conservantes e outros aditivos químicos que sobrecarregam o fígado, sem falar nos níveis de sódio e gordura contidos, podendo tornar um agente poderoso no aumento de casos de hipertensão e obesidade”, explica.

Questionada sobre o assunto, a secretária de Educação Leila Cardoso afirmou que por lei, 30% da verba destinada a alimentação dos alunos tem que ser utilizada na compra de industrializados. Mas garantiu que isso é compensado com uma grande quantidade de hortifrúti em quatro refeições diárias.

Já os pais não vem a situação desta forma, chegando a dizer que frequentemente as crianças chegam em casa com fome. “O lanche da manhã são três bolachas de água e sal e um copo de leite. O almoço quase sempre é macarrão, e de tarde eles comem uma fruta. Pelo menos é isso que ele me fala quando chega em casa atacando a geladeira”, contou Josilaine Oliveira de Loureiro, 25 anos, que tem dois filhos matriculados na Ceinf Professor Osvaldo Maciel de Oliveira, no bairro Afonso Pena.

Ângela Batista, de 27 anos, levantou outra polêmica, dizendo que o filho de 4 anos estuda no local desde bebê, e que antes a alimentação era superior a oferecida atualmente. “Antes ele comia melhor, ficava bem alimentado. Eu n]ao preocupava porque sabia que ia passar o dia bem. Agora ele sempre chega com fome”, analisou.

Mas também houve quem elogiou a alimentação das crianças, afirmando que a filha de 3 anos, sempre foi assistida na escola. “Ela come super bem. Eles respeitam as recomendações que deixamos para não dar qualquer fruta por causa alergia dela, mas sempre trazemos uma coisinha ou outra para ele dividir com os coleguinhas de sala”, defendeu Fabrício Hiratsuka.

Gabriele Rios, de 27 anos, disse que mesmo durante a crise da merenda, onde várias escolas e ceinfs da Capital não tinham o que oferecer para as crianças, a escola pediu qualquer doação. “Ela sempre comeu bem, e nunca nos pediram nada. A gente sempre traz alguma coisinha, mas mais para agradar eles”, argumentou.

Sobre a alimentação dos pequenos, a nutricionista destacou que cada faixa etária precisa de um tipo específico de alimento, para auxiliar o seu desenvolvimento durante aquela fase. “Geralmente é feita uma média das idades dos alunos que vão se alimentar na escola ou creche. Neste caso o alimento servido é o mesmo para os alunos de 2 anos em diante, mudando apenas as quantidades oferecidas a cada um. Para o berçário a alimentação é feita em forma de sopa/ canja incluindo alguns legumes (amassados) arroz e feijão (amassados) carne moída/ ou batida, porém sempre aderindo os mesmo alimentos servidos para os demais maiores, com formas de preparo diferentes”, concluiu.

Jornal Midiamax