Surto de doenças respiratórias também causa ‘congestionamento’ de pacientes em hospitais particulares de Campo Grande. A reportagem do Jornal Midiamax apurou que o tempo de espera para atendimento pode superar 5h. A situação é reflexo do registrado em unidades públicas, em que postos estão com demanda 4 vezes maior nos últimos dias.

No Hospital da Cassems, uma placa na entrada informava a média de quase 5 horas (290 minutos) para atendimento pediátrico.

Em um dos maiores da cidade, o hospital da Unimed, localizado no bairro Carandá Bosque, a espera é longa. No pronto atendimento pediátrico, para conseguir passar apenas pela triagem, a demora foi de cerca de 1 hora durante a tarde, segundo apurado pelo Jornal Midiamax.  

A situação não é diferente no atendimento adulto, onde cerca de 50 pessoas aguardavam ser chamadas para passar por consulta médica. Eliana Vargas, de 63 anos, estava na unidade de saúde acompanhando a neta de 15 anos, que está com sintomas de virose. “É muito cansativo passar por isso. Chegamos às 13h, mas só fomos atendidas depois das 16h, e nunca demorou tanto para ser atendida”, afirma.

O analista de sistemas, Christopher Alex Marques, de 28 anos, foi até o hospital nesta segunda-feira (22) com a expectativa de passar por avaliação de um ortopedista. No entanto, depois de aguardar por atendimento por 1 hora e não passar nem pela triagem, decidiu ir embora e retornar no dia seguinte.

No entanto, ao voltar na terça ao hospital, se deparou com um fila de espera ainda maior. Ao Jornal Midiamax ele disse que provavelmente vai desistir do atendimento novamente.

Situações mais comuns 

Espera na Unimed (Henrique Arakaki, Midiamax).

Entre os quadros clínicos mais observados entre os pacientes estão os casos de síndromes respiratórias. “Nas últimas semanas tivemos um aumento importante dos casos de síndrome respiratórias leves, com sintomas leves que não requerem a internação, incluindo o vírus influenza”, afirmou a médica Marcela Ramone do Nascimento, diretora-técnica do hospital.

A médica reforça que o aumento dos casos é uma realidade que se espalha por toda a cidade. De acordo com a Unimed, a situação é uma questão de sazonalidade, já que em todo período de outono há registro de aumento no número de casos. 

No entanto, em comparação com o ano passado, esse aumento iniciou mais cedo. “É um período que normalmente tem mesmo muitos casos, mas esse ano começou antes do previsto”, disse a Unimed.

A oscilação de temperaturas, o aumento gradual do frio e o tempo seco formam o cenário perfeito para aumento das síndromes respiratórias, e as crianças são as principais vítimas dessas doenças, mas não apenas elas.

O Hospital Cassems de Campo Grande também registrou aumento significativo na procura no pronto atendimento da unidade nos últimos dias.

Aumento de 50% nos atendimentos

Segundo o hospital, a situação resultou “em uma superlotação, tanto na pediatria, quanto no adulto. Isso se deve a um número excessivo dos casos de viroses, especialmente de Influenza, somados aos casos de dengue e alguns poucos casos de Covid-19, o que tem levado a um aumento das esperas no pronto atendimento e uma superlotação dos leitos de internação”, explicou a assessoria da unidade.

“No período de 5 a 21 de abril deste ano houve um crescimento de 50% no atendimento pediátrico, quando comparado com o mesmo período do mês passado. A UTI Pediátrica está com 100% de taxa de ocupação e a internação clínica em pediatria com 95% de taxa de ocupação”, afirmou a Cassems.

Diante do aumento na demanda, a instituição de saúde quer aumentar o número de médicos e de salas de atendimento.

Orientações 

Para evitar complicações, os profissionais de saúde alertam que a população cuide do calendário vacinal, se imunizando contra as doenças mais comuns nessa época do ano. Entre as medidas, o indicado é estar com a vacina contra a gripe em dia.

Além disso, a “higienização frequente das mãos, evitar locais com aglomerações, manter a ventilação dos ambientes e, se suas crianças estiverem com sintomas, evitar levar a escola para não passar para o restante dos colegas”, estão entre as orientações da médica Marcela Ramone.