Depois de “viagem” pelo espaço durante um mês, em que vai “desdobrando” os componentes para adquirir a configuração final, o James Webb ficará posicionado a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

O telescópio vai captar a luz de corpos celestes mais longínquos, de 13,5 bilhões de anos, quase a idade do universo (de acordo com a teoria do Big Bang, o universo terá 13,8 mil milhões de anos).

O “mais longe” que o Hubble “recuou” foi 12,5 bilhões de anos, quando as estrelas e galáxias são jovens, registrando a luz difundida por corpos celestes no visível, no ultravioleta e parte do infravermelho (invisíveis).

O Webb, além de observar as primeiras estrelas e galáxias, vai permitir “olhar para dentro” de nuvens de gás e poeira onde se formam estrelas, galáxias e sistemas planetários mais “recentes”.

Com o novo telescópio, Elisabete da Cunha espera “conseguir, pela primeira vez, fazer um mapa da distribuição das estrelas” em galáxias distantes, “verdadeiros monstros cósmicos que estão formando centenas e até milhares de novas estrelas por ano”.

“Essas galáxias distantes são das que formam estrelas mais rapidamente no universo, mas, por terem quantidades enormes de poeira cósmica, até agora nunca foi possível observar diretamente as suas estrelas”, assinalou, acrescentando que vai “desenvolver modelos computacionais que possibilitem medir as propriedades físicas das galáxias” a partir das observações com o Webb, como a massa e a quantidade de poeira.

Os astrônomos poderão ainda descobrir e estudar melhor planetas extrassolares e suas atmosferas, “chegar” a zonas obscuras do sistema solar, compreender de forma mais afinada as origens da vida e procurar sinais de vida extraterrestre.

O James Webb está capacitado para registrar a luz infravermelha (luz invisível) emitida por corpos celestes com sensibilidade sem precedentes.

Os seus instrumentos científicos, quatro ao todo, decompõem a luz nos seus diferentes comprimentos de onda e focalizam-na em um detector para formar um espectro.

As propriedades de átomos e moléculas deixam assinaturas no espectro, que revela características dos corpos celestes, como temperatura, composição química, idade, densidade e movimento.

O novo telescópio resulta de uma parceria entre a e as agências europeia (ESA) e canadense (CSA).

Todos os Estados-membros da ESA, incluindo Portugal, contribuem com o James Webb por meio do Programa Científico.

Os cientistas europeus terão direito a 15% do tempo de observação do telescópio assim que estiver operacional, o que se espera que aconteça seis meses após o lançamento. Os primeiros dados científicos são aguardados em meados de 2022.

Apesar de ser o maior e mais potente telescópio espacial, o James Webb tem uma limitação: não pode ser reparado em órbita, ao contrário do Hubble, devido à sua distância da Terra, e por isso sua “esperança de vida” é curta, de cinco a dez anos.

Saiba Mais