‘Pior mãe do mundo’ vira conselheira de pais superprotetores

Lenore Skenazy permitiu que seu filho de 9 anos andasse de metrô sozinho em Nova York
| 14/03/2015
- 02:50
‘Pior mãe do mundo’ vira conselheira de pais superprotetores

Lenore Skenazy permitiu que seu filho de 9 anos andasse de metrô sozinho em Nova York

Em 2008, a jornalista americana Lenore Skenazy permitiu que seu filho de 9 anos andasse de metrô sozinho em Nova York e escreveu um artigo a respeito no jornal The New York Sun.
O menino estava munido de um cartão de metrô, um mapa e US$ 20 para emergências. Ele chegou bem em casa, “feliz com sua independência”.

“Eu estava preocupada? Sim, um pouco. Mas tampouco me pareceu algo ousado. Nova York não é hoje tão segura quanto em 1963? Não é como se vivêssemos em Bagdá”, escreveu Skenazy em seu artigo. 

Mas ela foi alvo de duras críticas, denunciada por suposta negligência e apelidada de “pior mãe do mundo”. Uma mãe perguntou: Como você se sentiria se seu filho não tivesse conseguido voltar para casa?

“Eu teria ficado devastada”, respondeu Skenazy. “Mas isso provaria que nenhuma mãe deve deixar seu filho andar sozinho de metrô? Não. Teria sido um exemplo horrível mas extremamente raro de violência aleatória. (…) Como se manter os filhos trancados, superprotegidos e vigiados seja o jeito certo de criá-los. Não é. É debilitante – para nós e para eles.”


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No programa, 13 famílias superprotetoras começam a permitir, após a insistência de Skenazy – e dos próprios filhos -, que estes possam andar de bicicleta, ganhar autonomia para certas tarefas e, em alguns casos, irem sozinhos para a escola.
O tema é delicado: quando é o momento de deixar os filhos fazerem coisas por conta própria ou saírem sozinhos de casa? Em cidades com níveis de criminalidade superiores às americanas, os conselhos de Skenazy ainda valem?

Como distinguir preocupações reais dos pais com a segurança das crianças de medos irracionais? E qual o impacto desse medo nos pais e nos filhos?

‘Quem seus filhos realmente são’

“Nenhum medo parece irracional quando você sofre dele. Eu também tenho meus medos”, responde Skenazy à BBC Brasil.
“Meu trabalho não é identificar quais medos fazem sentido, mas mostrar aos pais quem seus filhos realmente são. No programa de TV, as famílias que aceitaram participar viam seus filhos como se ainda não tivessem saído do útero. Uma mãe ainda alimentava seu filho de dez anos de colher por medo que ele se cortasse. Outra ficou receosa quando o filho de 16 anos começou a visitar universidades. Eu queria mostrar para ela que seu filho não era um bebê; ajudar pais muito ansiosos a libertar seus filhos.”

Skenazy conta que, quando esses pais percebiam que seus filhos davam conta de certas tarefas – fazer o jantar ou ir sozinhos para a escola -, esses medos perdiam força.

“Em 12 das 13 famílias, os pais mudaram tanto no final que eles sequer se lembravam por que impediam seus filhos de fazer certas coisas. E eles ficavam orgulhosos dos filhos. O orgulho substituiu o medo.”

Impactos do medo

Skenazy defende que esse medo está tendo impactos importantes na vida dos pais – sobretudo na das mães.

“Se os pais têm de supervisionar seus filhos o tempo todo, é um retrocesso para o feminismo: ‘Claro que você pode crescer profissionalmente, mamãe, mas tem que também levar seu filho na aula de futebol quatro vezes por semana; afinal, você não quer que ele se sinta mal por você não estar lá aplaudindo cada gol que ele marca'”, ironiza.

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