'Genocídio pelas mãos do estado', diz pré-candidata do Psol ao governo de MS sobre ação em Amambai

Luhhara Arguelho se posicionou nas redes sociais sobre ação da PM
| 26/06/2022
- 11:48
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Luhhara Arguelho, pré-candidata a deputada federal pelo Psol. Foto: Reprodução | PsOL. - (Foto: Divulgação, partido).

Após a morte de Vitor Fernandes, 42 anos, da etnia Guarani Kaiowá, em ação da Polícia Militar a pré-candidata ao Governo do Estado, Luhhara Arguelho (Psol) se manifestou nas redes sociais. Segundo ela, o fato se trata de um ‘genocídio pelas mãos do estado’.

O indígena foi morto na última sexta-feira (24), durante ação de policiais do da Polícia Militar de no território Guapoy, área de retomada dos Guarani Kaiowá. “Genocídio da população indígena no nosso estado pelas mãos do estado”, afirmou Luhhara nas redes sociais.

Na manhã deste domingo (26), a pré-candidata disse que está “junto com meus irmãos na área de conflito”. Ao Jornal Midiamax, Luhhara destacou que o Psol "se posiciona ao lado dos indígenas de Mato Grosso do Sul, nas lutas pelo direito a terra de seus ancestrais".

A pré-candidata afirmou que a legenda é favorável 'a criação de novas reservas indígenas, com proteção ambiental e ajuda estatal'. "Repudiamos a ação da Polícia Militar que agiu sobre ordem inescrupulosa do Secretário Estadual de Justiça e Segurança Pública. Viva o povo Guarani Kaiowá!!", declarou.

O corpo de Vitor é velado na Aldeia de Amambai, que está em luto pela perda. A tradição é de que o corpo seja sepultado no local onde ocorreu a morte. A cova já foi até mesmo aberta, porém, os indígenas temem não conseguir seguir o costume e que o sepultamento seja impedido.

Segundo uma jovem Guarani Kaiowá, os indígenas temem novas ações policiais, porque “as polícias estão circulando ainda e estamos aguardando o Ministério Público”.

O Jornal Midiamax entrou em contato com todos os pré-candidatos ao Governo do Estado. O espaço segue aberto para manifestação.

Ação em Amambai

Desde o dia 19 de junho, a aldeia indígena de Amambai, cidade a 352 quilômetros de Campo Grande, pedia apoio para providências na área de retomada, por questões de conflitos internos. Os problemas antecederam a invasão a uma propriedade rural no dia 23 deste mês e conflito com policiais militares, que resultou na morte do indígena. 

Já no dia 23, marco das primeiras movimentações na Fazenda Borda da Mata, ofício foi encaminhado para a Funai (Fundação Nacional do Índio), MPF (Ministério Público) e Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). No pedido, foi reforçada a situação de conflito interno na aldeia.

A ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar aconteceu após indígenas da etnia Guarani e Kaiowá retomarem uma parte do território de Guapoy, em Amambai. Os militares foram enviados à região e houve conflito. Pelo menos nove indígenas ficaram feridos e um acabou morrendo. Foi confirmada a morte do indígena Vitor Fernandes, de 42 anos. Três policiais militares tiveram ferimentos e foram atendidos no hospital da cidade.

O Cimi (Conselho Indigenista Missionário) manifestou solidariedade à comunidade Kaiowá e Guarani do tekoha Guapo’y e aos familiares de Vitor Fernandes. Segundo o Conselho, Vitor foi "vítima de uma violenta e ilegal ação de despejo praticada pela Polícia Militar (PM) do estado de Mato Grosso do Sul no dia 24 de junho de 2022".

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