Indígenas tentam seguir tradição em velório de morto em conflito com PM e temem repressão

Local exato do sepultamento está sendo mantido em sigilo pela comunidade que teme ser impedida de prosseguir com cerimônia
| 26/06/2022
- 10:32
Indígenas tentam seguir tradição em velório de morto em conflito com PM e temem repressão
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Os indígenas da etnia Guarani Kaiowá realizam, na manhã deste domingo (26), o velório de Vitor Fernandes, de 42 anos, morto em conflito com o da Polícia Militar, durante uma retomada no território Guapo’y Mirim, em Amambai – a 342 quilômetros de Campo Grande. 

De acordo com informações apuradas pelo Jornal Midiamax, o clima ainda é tenso no local, pois a tradição é de que o corpo seja sepultado no local onde ocorreu a . A cova já foi até mesmo aberta, porém, os indígenas temem não conseguir seguir o costume e que o sepultamento seja impedido.

Uma liderança indígena relatou ao Jornal Midiamax que o velório é realizado nesta manhã e que o local do sepultamento e o horário estão sendo mantidos em sigilo. “Para a nossa cultura, quando a cova foi aberta é para ser colocado ali, senão, é um presságio contra o nosso povo. A cova foi aberta na sexta-feira, após a morte”, explica a liderança. 

O coordenador do Cimi em Mato Grosso do Sul (Conselho Indigenista Missionário), Matias Benno, confirma a situação tensa no local. Segundo ele, o corpo foi liberado pela perícia para que fosse feito o velório e o enterro.

“Os indígenas estão querendo levar para enterrar não lá na fazenda em si, mas dentro dessa terra deles, que é no perímetro da fazenda. Eles estão com muito medo, pois ainda há mais de 100 policiais”, diz Benno.  “É uma determinação da comunidade, vão querer enterrar lá dentro é uma questão cultural. Não vão querer tirar desse território, não vão querer negociar para sair dessa área e, por isso, há o medo de ter um conflito, pois ao redor da fazenda, a polícia acabou fazendo um corpo de contenção”, acrescenta o coordenador do Cimi.

Conflito em Amambai

A ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar aconteceu após indígenas da etnia Guarani e Kaiowá retomarem uma parte do território de Guapoy, em Amambai. Os militares foram enviados à região e houve conflito. Pelo menos nove indígenas ficaram feridos e um acabou morrendo. Foi confirmada a morte do indígena Vitor Fernandes, de 42 anos. Três policiais militares tiveram ferimentos e foram atendidos no hospital da cidade.

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