O garoto de 15 anos que esfaqueou a mãe de um aluno na última quinta-feira (18), em frente à Escola Municipal Bernardo Franco Baís, em Campo Grande, deve passar por exames complementares para saber se ele seria bipolar ou teria TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade), segundo a advogada da família Fabiana Canteiro.

Ainda segundo a advogada, um outro depoimento especial será marcado nesta semana para o adolescente ser ouvido sobre os supostos abusos sexuais que teria sofrido por três colegas dentro do banheiro da escola, no ano passado. Fabiana afirmou que ainda não teve uma conversa mais detalhada com a do garoto, que está muito abalada com toda a situação. O garoto é filho único. 

Ainda nesta semana uma audiência com o juiz deve ocorrer para conhecer sobre o caso e depois outra audiência de continuação deve ser marcada. Até o parecer do juiz, o garoto deve ficar internado na Unei (Unidade Educacional de Internação). 

A advogada ainda afirmou que espera por exames complementares para saber se o adolescente tem bipolaridade ou TDAH. “Ele é muito tranquilo, educado, não é do perfil dele”, disse Fabiana Canteiro. A advogada contou que na primeira conversa que teve com o adolescente, ele estava ansioso e nervoso, mas devido ao ambiente estranho onde estava. 

A Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude) irá investigar o suposto abuso que o garoto teria sofrido na escola.

Carta aberta da família do garoto

“Queremos dizer à advogada que foi ferida, que não temos palavras para expressar o quanto nos dói ela ter passado por isso, que ela saiba que está em nossas orações! 

Meu sobrinho sempre foi um menino obediente e estudioso! Muito inteligente! Ele sempre concluiu o ano escolar antes do tempo, devido às altas notas que tirava! Mas no de 2022 pela primeira vez, ficou de recuperação! 

Ele foi criado com princípios cristãos e tem uma mãe dedicada e presente! 

Fazia acompanhamento com neuropsicóloga e algumas suspeitas de diagnóstico já existiam como Síndrome de Asperger, TDAH e Bipolaridade ou os três transtornos juntos!

Infelizmente não tivemos tempo para fechar qual seria o tratamento ideal e medicamentoso pra ele!

Acreditamos na polícia e na investigação que segue e precisamos saber o que realmente houve para que um menino tão bom, tomasse essa atitude que nós condenamos! 

Quando vemos esse tipo de notícia nos telejornais, nunca imaginamos que um dia poderia acontecer com um amado e querido de nossa família.”

Adolescente esperou mãe sair para trabalhar e pegou facas

O adolescente contou em depoimento que esperou a mãe sair para trabalhar e pegou as facas para cometer o crime, confessando, assim, o ataque.

Ele ainda revelou que acordou cedo, se arrumou e esperou a mãe sair para trabalhar, quando foi até a cozinha e pegou cinco facas, além de uma marreta e foi em direção à escola. Ele ainda falou que teria visto os abusadores indo para a quadra de esportes, e por isso, tentou entrar na unidade escolar.

Durante depoimento, o adolescente repetiu discursos de jovens que cometem este tipo de crime e que não serão reproduzidos pelo Jornal Midiamax, que zela pelo compromisso de não estimular atos de violência em indivíduos e comunidades de ódio, que resultam em novos casos, segundo recomendações de estudiosos em comunicação e violência. Pesquisas mostram que essa pode levar a um efeito de contágio, de valorização e de estímulo do ato de violência.

O garoto revelou no depoimento que foi estuprado dentro do banheiro da escola por três alunos, no ano passado, e por isso, teria ido cometer o crime. Uma advogada de 45 anos foi esfaqueada nas costas ao tentar impedir o ex-aluno de entrar na escola com facas. 

Semed alegou não saber do estupro

O Secretário Municipal de Educação, Lucas Bittencourt, disse na manhã de sexta-feira (19), um dia após o ataque, que não tinha conhecimento sobre o caso de estupro que o adolescente havia sofrido na escola.

Lucas Bittencourt disse ao Jornal Midiamax que nada foi registrado em Ata sobre o caso de estupro do adolescente. Ainda segundo o secretário, existe um grupo de psicólogos para atender a escola, mas que não fica sempre na unidade escolar. Os profissionais ficam em um centro e atendem as escolas.