Membros do PCC vão a júri pelo homicídio de Maykel, que não teve corpo encontrado

Seis homens participaram da morte e ocultação de cadáver
| 27/01/2022
- 22:00
Caso foi investigado pela DEH
Caso foi investigado pela DEH - (Arquivo, Midiamax)

Foram pronunciados seis homens, membros do PCC (Primeiro Comando da Capital), pelo homicídio de Maykel Martins Pacheco, de 19 anos, desde dezembro de 2019. O corpo do jovem, visto pela última vez na Nhanhá, em Campo Grande, nunca foi encontrado.

Conforme decisão do juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, foram pronunciados Iago Gustavo Ribeiro Bronzoni, Tales Valensuela Gonçalves, Márcio Fernandes Feliciano, Everson Silva Gauna, Wesley Torres da Silva e Márcio Douglas Pereira Rodrigues.

Os réus vão a júri popular pelos crimes de homicídio qualificado por motivo torpe e dissimulação, cárcere privado, ocultação de cadáver e integrar a facção criminosa PCC. Conforme apontado nos autos, Márcio Douglas teria ajudado na ocultação do cadáver de Maykel, que a princípio foi morto na saída para Sidrolândia, em uma área de mata.

Todos os acusados também tiveram as prisões mantidas.

Relembre o caso

O caso chegou até a polícia em 5 de dezembro de 2019, após o rapaz desaparecer da Nhanhá, bairro onde estava morando havia aproximadamente um mês e a mãe dele denunciar que recebeu mensagens de uma namorada de Maykel, informando que o PCC tinha matado ele.

Conforme as investigações policiais, Maykel foi morto pelo PCC mesmo sendo simpatizante à facção criminosa, já que integrantes descobriram que ele já tinha sido faccionado ao Comando Vermelho, quando morava em Rondonópolis (MT). O homicídio começou a ser orquestrado cerca de um mês antes, quando a ex-cunhada e o namorado dela convidaram o rapaz para morar com eles no Nhanhá.

Maykel saiu da casa da mãe e foi morar naquele bairro, onde comercializava drogas. A partir dali os membros da facção começaram a estudar a vida do rapaz e, quando já tinham informações suficientes, cometeram o crime. A ex-cunhada de Maykel teria topado participar indiretamente do crime porque estaria com dívidas de droga com o PCC.

No dia 4 de dezembro, Maykel foi convidado por Tales para ir até um local buscar drogas, quando o deixou na ‘cantoneira’, como são chamados os cativeiros. Lá, onde moravam Igor e Everson, Maykel teria sido mantido até o dia da execução, fato estranho à polícia, uma vez que é comum a troca de cantoneiras diariamente para despistar.

Os quatro homens presos inicialmente não falaram sobre os outros envolvidos no crime, já que seriam membros do alto escalão do PCC, que estariam à frente do julgamento. Maykel foi levado da cantoneira ao local ainda incerto, no Palio vermelho, que foi apreendido posteriormente e periciado. Foi identificado que outros dois homens teriam participado do homicídio e levado a vítima até o local da execução.

Um dos suspeitos, que seria um dos principais fornecedores de droga de um bairro de Campo Grande foi identificado e teve prisão preventiva decretada após pedido do (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Já o outro, seria marido de uma das acusadas da execução de Joice Viana Amorim, decapitada em maio de 2018 pelo PCC, também em tribunal do crime.

Não é descartada a participação da jovem, que atualmente está em liberdade, mas até o momento nada foi comprovado. Após a morte de Maykel, a ex-cunhada dele foi avisada e teve que falar para a namorada do rapaz enviar mensagens para a mãe dele informando sobre o homicídio. Vídeos do jovem em cativeiro chegaram até a polícia, mas até o momento o corpo não teria sido localizado.

O caso foi investigado pela DEH (Delegacia Especializada de Homicídios).

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