Ex-guarda diz a jurados que não se lembra por que se exaltou e atirou em Maxelline

Amigo também foi morto a tiros pelo réu
| 05/05/2022
- 13:39
Ex-guarda diz a jurados que não se lembra por que se exaltou e atirou em Maxelline
Valtenir é julgado nesta quinta-feira (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

“Não lembro porque me exaltei”, disse Valtenir Pereira da Silva, 37 anos, que é julgado nesta quinta-feira (5) pelo feminicídio de Maxelline Santos, de 28 anos. Ele também responde pelo homicídio de Steferson Batista de Souza e tentativa de homicídio contra a mulher dele, que foi ferida a tiros naquele dia 29 de fevereiro de 2020.

Em depoimento, o ex-guarda municipal, expulso da corporação após cometer os crimes, relatou que ficou incomodado naquela noite ao chegar e ver três casais na de Steferson e da esposa. “Eu e ela tínhamos voltado e ela já estava ficando com outra pessoa”, alegou, falando sobre Maxelline.

O que os amigos contaram, no entanto, foi que naquele churrasco Maxelline dizia que já não estava mais com Valtenir. “Não vi quando atirei na Maxelline, só lembro de ver ela no chão”, contou o ex-guarda. Steferson e a mulher também foram atingidos com tiros naquela noite, sendo que o rapaz não resistiu aos ferimentos.

“Se eu tivesse feito disparo com intenção de matar, eu matava”, disse Valtenir sobre a mulher de Steferson. Já sobre o amigo, ele alegou que ele era ‘maior’ do que o ex-guarda, mais forte, e que pediu para ele se afastar, mas não se afastou. Outro casal de amigos chegou a ver o crime, mas já estava dentro do carro, indo embora.

Se exaltou e atirou em Maxelline

Arma usada no feminicídio de Maxelline
Arma usada no crime (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Valtenir chegou a alegar que não se lembra porque se exaltou e atirou na ex-namorada. Ele contou que, naquela noite, teria ligado algumas vezes para Maxelline, mas ela não atendeu. Então, decidiu ir até a casa do casal de amigos onde ela estava. Ele trabalhava como motorista de aplicativo naquele dia.

Então, já na casa conversou com Maxelline por aproximadamente 50 minutos, mas era ‘interrompido’ pela amiga da vítima, que a todo momento ia até lá ver como eles estavam e servir cerveja. Alterado, ele pediu para ela se afastar e sacou a arma, quando a série de disparos aconteceu.

Naquela noite, Maxelline contou para os amigos que não estava feliz com Valtenir e que eles tinham se separado, que não estavam mais juntos.

O que diz a denúncia contra o ex-guarda

Valtenir chegou à casa dos amigos de Maxelline, e os dois começaram a conversar do lado de fora. A princípio, as investigações apontaram que ele não aceitava o término do relacionamento e tentava reatar.

Além disso, a vítima teria tentado dar outras chances a Valtenir, mas por conta de agressões solicitou medida protetiva contra ele. Mesmo assim, naquela noite os dois acabaram discutindo, quando Valtenir tentou tirar a vítima do local. Neste momento, a amiga de Maxelline tentou ajudá-la.

Conforme aponta a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Maxelline entrou na frente para proteger a amiga, que correu para dentro da casa. Mesmo assim Valtenir atirou, atingindo a amiga da ex-namorada nas costas. Em seguida, Steferson saiu para ver o que estava acontecendo e também foi atingido por um tiro no tórax.

Maxelline foi atingida em seguida por um tiro na cabeça. Ela e o amigo morreram no local, já a terceira vítima foi socorrida e algum tempo depois se recuperou do ferimento. Valtenir fugiu naquele dia e permaneceu escondido. Equipes policiais fizeram ações, inclusive com helicóptero na tentativa de localizar o acusado, que acabou dias depois.

O MPMS ofereceu denúncia por homicídio qualificado por motivo torpe, também pela violência doméstica, caracterizando feminicídio. Além do homicídio contra Steferson, também qualificado por motivo torpe. Ainda recurso que dificultou a defesa da vítima, descumprimento de medida protetiva e tentativa de homicídio.

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