Polícia

Chefe de quadrilha que cavou túnel até banco pode ir para casa por causa do coronavírus

No início de abril, advogado de defesa de Ernande Pereira da Silva, de 59 anos, o ‘Véio’, entrou com pedido de revogação de prisão ou medida cautelar para o cliente, alegando entre outros fatores o risco de contágio pelo coronavírus. Ernande, que por 20 anos usou nome falso para fugir da Justiça, é apontado pela […]

Renata Portela Publicado em 09/04/2020, às 09h47 - Atualizado às 11h25

Casa de onde foi escavado o túnel (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)
Casa de onde foi escavado o túnel (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax) - Casa de onde foi escavado o túnel (Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

No início de abril, advogado de defesa de Ernande Pereira da Silva, de 59 anos, o ‘Véio’, entrou com pedido de revogação de prisão ou medida cautelar para o cliente, alegando entre outros fatores o risco de contágio pelo coronavírus. Ernande, que por 20 anos usou nome falso para fugir da Justiça, é apontado pela polícia como um dos mentores da tentativa de furto à Central do Banco do Brasil através de um túnel escavado.

O advogado de defesa requereu revogação da prisão preventiva ou aplicação de medida cautelar diversa da prisão. Ele aponta que ‘Véio’ está preso desde o dia 13 de março em uma cela no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestro), tendo pedido de prisão preventiva feito pelo delegado João Paulo Sartori e deferido pela Justiça.

Na peça, a defesa afirma que Ernande integra grupo de risco de contaminação pelo Covid-19, o novo coronavírus, por ser soropositivo-HIV, mas que não tem qualquer exame que comprove a doença já que quando descobriu, teria rasgado e jogado fora os exames. O advogado também alega que as unidades carcerárias não têm condições para abrigarem o réu e evitar a contaminação.

Para tanto, ainda é pedida prisão domiciliar apontado que o réu é pai de família, tem emprego e residência fixos e que a prisão é desnecessária e há requisitos para que ele responda em liberdade. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), entendendo que trata-se de um criminoso com ligações não apenas em Mato Grosso do Sul mas em vários estados do país e também autor de vários crimes, que inclusive estava foragido e usava nome falso para evitar a prisão, pediu indeferimento.

A juíza publicou na quarta-feira (8) a decisão, indeferindo a revogação da prisão por haver indícios da autoria do crime, pela garantia da ordem pública e pela periculosidade do réu. No entanto, ela deu prazo de 15 dias para que a defesa entregue provas de que o réu é portador de HIV e que integra grupo de risco do coronavírus, para que seja analisada uma possível prisão domiciliar.

Chefe de quadrilha que cavou túnel até banco pode ir para casa por causa do coronavírus
(Foto: Marcos Ermínio, Midiamax)

Chefe da quadrilha

As investigações do Garras, que perduraram por mais de 6 meses, detalharam como a quadrilha agia em Campo Grande. Além de Ernande, outros três homens integrariam o ‘Núcleo Duro’, que comandava a organização criminosa. Esses outros três foram apontados como autores de pelo menos três roubos a bancos em Campo Grande, sendo o primeiro em 2016, quando dois deles entraram no Banco do Brasil da Avenida Afonso Pena e levaram mais de R$ 1 milhão.

Também foram apontados como autores de tentativa de roubo a uma agência da Caixa na Avenida Mato Grosso em novembro de 2018 e assalto na agência da Avenida Gunter Hans, oportunidade em que levaram R$ 300 mil. Caso conseguissem concluir o último furto no fim de 2019, eles levariam R$ 200 milhões em valores e cheques.

A investigação apontou que, mesmo declarando ser morador no interior de São Paulo, ‘Véio’ foi visto em várias ocasiões em Campo Grande, em endereços pontuais utilizados pela organização criminosa, inclusive se reunindo com os outros membros. Os veículos usados pela quadrilha também entregaram os envolvidos. Ernande ainda seria quem levou o caminhão até a casa onde parte da quadrilha foi presa em flagrante e o veículo seria utilizado no transporte do valor furtado, aponta o inquérito policial.

Tentativa frustrada de furto

Naquela noite do dia 21 de dezembro, os policiais do Garras estavam na região do Coronel Antonino, onde fica localizada a casa usada para escavação do túnel. Os investigadores perceberam movimentação no local e decidiram fazer a atuação para desmantelar a organização criminosa.

Já por volta da 1 hora do dia 22, a equipe voltou ao local e percebeu um grupo deixando a casa em um caminhão e uma Hilux. A equipe viu os automóveis na Rua Dolor Ferreira de Andrade, na esquina com a Rua do Rosário, quando foi feita a primeira abordagem. O motorista do caminhão jogou o veículo contra um dos policiais e a ação foi revidada a tiros.

Ele ainda conseguiu fugir num primeiro momento e em seguida foi feita abordagem aos ocupantes da Hilux, que estavam com pistolas em punho e atiraram contra os policiais. Os disparos foram revidados e eles chegaram a ser encaminhados para a Santa Casa, deram entrada na área vermelha, mas não resistiram aos ferimentos.

Os policiais conseguiram localizar o condutor do caminhão já nas proximidades da Santa Casa, buscando por atendimento médico. Ele foi preso em flagrante. As equipes fizeram buscas na casa no Zé Pereira e prenderam mais cinco envolvidos. Já em outra casa na Rua Iguassu, no Amambaí, foi detido um homem. Com ele foram apreendidos vários aparelhos celulares, entre outros aparatos.

Os integrantes da organização criminosa foram apresentados em coletiva de imprensa pelo delegado responsável, que também mostrou junto de equipes de policiais do Garras o túnel escavado pelos criminosos, que responderão por roubo majorado.

Jornal Midiamax