Há um ano, o vai e vem de carros e caminhões, na BR-163, saída de Campo Grande, tinha algo incomum: um homem, carregando uma mochila e uma Santa, enrolada em um lençol. Ao todo, 35 kg nas costas. Mas o peso maior estava na mente, com uma promessa feita há 20 anos e que ele começou a pagar ali. O início de uma caminhada de 1.357 km, rumo a Aparecida do Norte (SP). Atualmente, aliviado, como está Ivanor Tobias da Cruz, de 56 anos?
Na ocasião, o devoto de Nossa Senhora Aparecida nem imaginava, porém, carregaria uma multidão ao lado dele, seja em pensamentos, orações ou até mesmo peregrinos, os quais ele encontrou no interior paulista e seguiram caminhando com ele, até o Santuário. A reportagem do Jornal Midiamax o acompanhou em toda a trajetória, trazendo a rotina de quem se move pela fé, algo repetido por milhares de pessoas diariamente.
“Minha vida está maravilhosa agora. Estou leve, paguei o que eu devia a Deus e a Nossa Senhora. Muito feliz, só bençãos que eu recebo. Faz um ano, e aquele peso que eu carregava, há mais de 20 anos, saiu, então, aquele fardo, para mim, é como se eu nascesse de novo. Estou nesta felicidade, nesta alegria. Penso que você não é obrigado a prometer nada a Deus, mas, se você prometer, é obrigado a cumprir e eu tinha uma promessa e tinha que pagar”, afirmou Ivanor.
“Agradeço demais quem me ajudou na estrada, até mesmo quem me maltratou”, diz devoto

De acordo com Ivanor, até mesmo as pessoas que o maltrataram na estrada, por conta de intolerância religiosa, ele agradece e ainda ora por elas. “Agradeço demais as pessoas, que me deram água, comida, aos caminhoneiros, as pessoas que me receberam na estrada, até mesmo os que me maltrataram, eu agradeço e rezo por cada pessoa. Todos os dias eu rezo por elas e por cada pessoa que pediu os seus pedidos e chegaram até lá”, comentou.
Sobre a caminhada, o devoto fala que teve benefícios para sua saúde também. “A caminhada me ajudou muito. Eu andava bem doente também, e voltei outro cara. Estou trabalhando em uma obra com uns amigos. Deixo a frutaria com o meu cunhado e não paro. A vida continua, tá tudo maravilhoso, só agradeço a Nossa Senhora e peço saúde e paz”, disse.

Construção da gruta: ‘Ela gostou muito’
Desde que retornou, Ivanor voltou a trabalhar na frutaria arrendada por ele, localizada na região norte da cidade. No entanto, soube que o local foi alvo de furto, por diversas vezes, enquanto esteve fora.
“Eu fiquei dormindo lá alguns dias, arrumei os buracos que deixaram lá. E o pessoal do Ceasa, lugar que trabalhei bastante tempo, me ajudou muito, com as frutas no caso. E aí eu decidi construir uma gruta aqui também. Ela gostou, me disse que gostou, converso muito com Ela”, ressaltou, explicando que chama a Santa de “Ela”.
Confira a entrevista com o devoto:
O MidiaMAIS acompanhou o devoto nesta caminhada. Confira a cobertura exclusiva:
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