O desaparecimento de Jerônimo, filhote de onça-pintada que vive no Pantanal de Mato Grosso do Sul, acaba de completar dois meses. Esse pequeno era adorado pelos guias, biólogos e visitantes que fazem safári pela região da Caiman Pantanal e sempre era visto acompanhado do irmão Juba, outro filhote, e da mãe Surya, até que dois machos novos chegaram à área e o bebê indefeso sumiu.

Para tentar elucubrar o desaparecimento, os especialistas trabalham com duas hipóteses: um dos machos ou os dois mataram o filhote para tentar acasalar com a mãe dele, a fêmea Surya, ou Jerônimo “desgarrou” cedo demais e foi se aventurar em outras redondezas.

“Não sabemos o paradeiro do pequeno e estamos procurando por aqui. Ele está com um ano e não é comum onças se separarem da mãe com essa idade. Geralmente, os filhotes desgarram com um ano e meio”, diz Fábio Paschoal, um dos guias da região que acompanhava Jerônimo no dia a dia.

Segundo ele, inclusive, o sumiço do filhote causa preocupação. “Me perguntaram sobre o Jerônimo hoje e, infelizmente não temos notícias dele. Faz dois meses que não o vemos e nem as armadilhas fotográficas registraram o pequeno”, comenta.

“Jerônimo desapareceu quando Jafar e Scar, dois machos novos na área começaram a andar por aqui e isso nos deixa bastante preocupados”, acrescenta Paschoal.

Em seguida, ele compartilha o vídeo de seu último encontro com a oncinha. “Essa foi a última vez que vi o Jerônimo, brincando inocentemente com o estômago de um boi. Boa sorte pequeno, onde quer que você esteja”, lamenta o guia.

Veja:

Jerônimo era constantemente avistado com a mamãe Surya e o irmão Juba, mas desapareceu, conforme Paschoal, desde que duas novas onças pintaram na área. Caso tenha sido morto por Jafar ou Scar, Jerônimo seria vítima de um comportamento comum entre as onças-pintadas, inclusive, documentado pela ONG Onçafari, que monitora os felinos da região, em estudo recente.

“Sabendo que machos adultos podem ser uma ameaça para os filhotes e para as próprias fêmeas, nossos dados indicaram que o alto das árvores são lugares seguros contra o infanticídio e contra a perseguição das fêmeas pelos machos durante os períodos de acasalamento”, diz um trecho do estudo.

Instinto materno da onça-pintada

Parceiras dos filhotes, as mães onças-pintadas costumam ser amigas e protetoras ao extremo. Fábio Paschoal, biólogo que atua como guia na Caiman Pantanal e largou tudo em São Paulo para viver com as onças em MS, dá um exemplo do que essas matriarcas são capazes de fazer para proteger as crias e faz uma comparação com os leões.

“No caso das onças, mesmo se a fêmea estiver com um filhote, ela pode copular com os machos. Já os leões, por exemplo, quando um macho novo no território destitui o macho dominante, o novo macho vai matar todos os filhotes para fazer a fêmea entrar no cio e copular com ela”, exemplifica ele em conversa com o MidiaMAIS.

Para proteger o filho, onças podem enganar os machos. “Em relação às onças, os pesquisadores acreditam que, mesmo que a fêmea não esteja no cio e ainda esteja cuidando de um filhote, ela vai copular com o macho justamente para evitar que ele mate os filhotes. Se o macho onça ver a fêmea com o filhote, vai pensar que é um filho dele e não vai matar”, relata Paschoal.

Por fim, em relação ao sumiço de Jerônimo, Paschoal pontua que tudo, por enquanto, segue no âmbito da especulação. “Pode ser que ele tenha desgarrado mais cedo e foi estabelecer seu território fora daqui. Estamos torcendo pra isso”, encerra ele.

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