Os estelionatários presos em Campo Grande no sábado passado (12) clonavam cartões apenas de correntistas da Caixa Econômica Federal. Ao menos é o que tem de provas contra eles e conforme suas próprias revelações para a imprensa na tarde desta segunda-feira, na sede da Garras (Delegacia Especializada Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) para onde foram transferidos e o inquérito será concluído.

Israel Dehmison Alves Martins, 23 anos, conhecido como Cabeça, assume que foi ele o responsável pela construção de um equipamento para substituir o local onde o correntista coloca o cartão. Alí, uma microcâmera filma os dados do cartão, inclusive o momento que a vítima digita sua senha. Depois disto é acoplado um notebook e o dados mandados para uma leitora que copiava o campo magnético do cartão. Os dados era alterados e o trio usava o mesmo cartão para fazer transações.

o detalhe é que os novos dados de identificação do cartão eram feitos com adesivos simples, destes comprados em qualquer livraria. Depois era só fazer as transações de saque e transferências para outras contas. (Colaboraram Eduardo Penedo e Evelin Araujo).

Israel contou à reportagem que é mecânico de máquinas eletrônicas e com isto usou seus conhecimentos para fabricar o chupa-cabras, como é conhecido o equipamento de clonagem de cartões. Questionado do por quê em optar por correntista da CEF ele diz que todos têm o mesmo grau de dificuldade para construir, porém este banco foi o escolhido. Numa primeira versão ele disse que aprendeu a “engenhoca” com um tio que mora no Ceará.

Diógenes Kildery Alves de Meneses, 19 anos, é irmão e Israel. O rapaz confessa que sabia que o irmão já mexia com clonagens de cartões em Brasília, mas acreditava que ele tinha paado com a prática. Porém, não deixou claro como veio para Campo Grande justamente quando Israel veio e se preparava para instalar chupa-cabras nos caixas eletrônicos. Márcia Valeria Ferreira da Silva, 42 anos, também foi presa. Ela seria namorada de Diógenes. Os suspeitos foram presos em um hotel localizado na avenida Gury Marques.

Segundo o delegado João Reis Belo, que era o plantonista da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), a quadrilha esteve no Estado no inicio de junho e conseguiu instalar esses equipamentos em vários bancos da cidade. Um das vítimas dos estelionatários conseguiu reconhecer um dos suspeitos e duas investigadoras ficaram no encalço deles.