A tradicional Black Friday na fronteira de Mato Grosso do Sul, entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai, já tem data marcada: de 27 a 29 de outubro. Os dias de evento ofertam produtos com 50% de desconto e prometem atrair turistas de todo Brasil, incluindo do nordeste brasileiro. O lançamento da campanha para atrair lojistas inscritos aconteceu no Senac Hub Academy, nesta terça-feira (17).

O presidente da Câmara de Indústria, Comércio, Turismo y Servicio, Khalil Mansour El Hage, explica que a campanha chega a 10ª edição. A experiência com as edições anteriores exemplifica a capacidade da fronteira em receber mais de 40 mil consumidores, meta superada no ano passado.

“Normalmente falamos com a prefeitura para cuidar do trânsito, da segurança. Nós nos preocupamos com o conforto do turista, não queremos só vender, queremos que o turista se sinta bem, em casa e com a segurança. Sentimos nos últimos meses um aumento de 20% no movimento a mais que o ano passado, isso já representa uma expectativa melhor. Estamos saindo de uma ressaca com reflexo da pandemia, não conseguimos nos recuperar, outros setores não voltaram ao patamar de antes. A Black Friday traz essa expectativa de melhor giro econômico”.

Os eletrônicos são produtos que mais atraem o consumidor turista, mas Khalil afirma que todos os setores devem sentir reflexo da temporada de liquidação, seja para compra de perfume aos itens de pesca. Ele ainda pontua que, apesar dos sul-mato-grossenses serem a maioria na visita, há até excursão de grupos do nordeste do Brasil. A rede de hotelaria em ambos os lados da fronteira estão quase lotados, segundo a organização.

“Vem bastante gente do Paraná, dessa região de fronteira. Temos bagagem em experiência com o sucesso das edições anteriores, que movimenta tudo ao redor, desde o lojista em um shopping ao ambulante que está vendendo água na rua”, descreve.

Adesão do Pix

Segundo a organização, já estão cadastradas para a campanha 120 lojas. Há um prazo de 10 dias para os interessados confirmarem na Câmara a intenção de ofertas de produtos com desconto. Este ano, as lojas ainda vão aderir ao Pix, moeda digital mais usada no lado brasileiro. Helton Carlos Matos, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã, ainda diz que os três picos de moeda em circulação, o real, dólar e guarani, incentivam todo tipo de cliente ao consumo.

“Temos uma condição geografia favorável que permite o sul-mato-grossense sair e voltar no mesmo dia, de ir comprar coisas que só se encontraria nos EUA. É um município que depende um do outro, tem uma economia atípica com três moedas. Já conversamos com a polícia nacional e a PM e o turista terá compras segurança. A meta é chegar a 150 lojas no lado brasileiro”.

Para Adilson Amorim Puertes, vice-presidente da Fecomércio-MS, a região terá lucro estimado na temporada, aliando a compra sem carga tributária alta, como é atualmente no país. A alta no dólar também não deve desanimar a expectativa de vendas este ano, segundo ele. A cota para comprar no Paraguai é de U$ 500 dólares por pessoa.

“Estamos conversando e a expectativa é de giro econômico de U$ 25 milhões, [os lojistas] já se preparam para o fim do ano. O evento também movimenta a economia como um todo, por exemplo, o morador que sai daqui gasta com gasolina, com comida e hotelaria, é um efeito cascata econômico em ambos lados, de compra do lado brasileiro e paraguaio. Há uma troca, pois há produtos aqui e que não tem lá, e vice e versa”, finaliza.