Falta apenas uma semana para a Black Friday, a tradicional data de vendas com ofertas e desconto no comércio. Em , mais de 300 lojas aderem à época de liquidação. Nesta edição, os descontos variam de 10 a 60%.

Para o presidente da CDL-CG (Câmara de Dirigentes de Campo Grande), Adelaido Vila, a expectativa de faturamento é de R$ 50 milhões em vendas, tanto no Centro da cidade como em shoppings e lojas de bairros.

“O principal da CLD nesse momento é de, além de divulgar que nós teremos a ‘Black’ no nosso varejo, também de orientar todos os lojistas para que sinalizem suas lojas, conversem com suas equipes e que todo desconto anunciado que seja realmente entregue ao cliente, caso isso não ocorra, isso prejudica para as vendas de Natal”, explica.

Magazines, como a Pernambucanas, Riachuelo, Americanas, Gazin, por exemplo, vão participar. A data é uma das mais importantes para a movimentação do comércio e que antecede as vendas de fim de ano.

“Esse é um momento que o cliente vivencia uma experiência de atendimento, de preço anunciado e de tudo que a empresa está prometendo. Isso vai abrir as portas dessas empresas para as vendas de Natal”.

‘Black Fraude’ e ‘metade do dobro’

O Jornal Midiamax já havia relembrado a contagem regressiva para a data com dicas para aproveitar a liquidação, exemplificando os cuidados com os falsos descontos e planejamento.

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos do Consumidor de Mato Grosso do Sul, o advogado Nikollas de Oliveira Pellat, diz que alguns problemas entre lojistas e cliente são comuns nessa temporada, como a propaganda enganosa, a ironicamente chamada de “black fraude”, quando se paga “metade do dobro”, ou seja, preço similar ao normal.

“O consumidor tem que pesquisar bem antes de comprar para não ser induzido ao erro. Às vezes, uma empresa sobe o preço antes de entrar e diminui entre aspas para o preço que já estava originalmente, ou então dão descontos em produtos com avarias, mas não informam que tem aquele problema, o que fere o direito da informação”.

Pellat reforça que nesse período também há um alerta para os golpes on-line, com sites ou anúncios fraudulentos. A recomendação é ficar atento às informações do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) e dados bancários, por exemplo, conferir atentamente boletos ou chaves Pix antes de transferir um valor. Denúncias podem ser feitas em unidades do estadual ou municipal.

Também é comum nesse período a venda de item com avarias, por exemplo, riscos ou amassados. O advogado destaca que a legislação determina uma empresa informar o cliente sobre tal dano. Vale lembrar que nesse caso não é uma promoção e sim um dano que reduz o valor real do objeto.

“A empresa pode vender o produto que tenha alguma avaria, um defeito, mas que não o torne impróprio para uso, desde que informe o consumidor. O artigo 6ª e inciso 3º traz esse princípio e direito básico ao consumidor, a qual é a informação. A empresa pode vender um produto com valor abaixo do mercado, porque tem um certo defeito. Com relação à troca, não há direito a fazer com base nesse defeito que a empresa avisou, mas se o produto apresentar outro tipo de vício ou defeito, que não esse o motivo da redução preço, pode acionar a empresa dentro do prazo de 90 dias de garantia, para aparar esse defeito ou substitua o produto”.

Dicas para ficar atento

  • Pesquise a qualidade da empresa, para evitar golpes de estelionatários;
  • Não clique em links suspeitos de promoção pela internet;
  • Evite fazer pagamentos antes de consultar atentamente os dados da empresa;
  • Confira se a loja oferta garantia.

Orçamento na caneta

A Black Friday é uma data atrativa para o comércio antes das compras de fim de ano. A economista Andreia Cambiaghi indica cautela antes de adquirir itens que não estão na de desejos. Evitar o endividamento com objetos comprados desnecessariamente para uso pode prevenir uma “bola de neve”.

“Uma boa compra é feita com bastante responsabilidade. Temos que saber o que queremos comprar, desde uma coisa muito cara a uma barata. Conhecer o produto, saber o preço, saber das qualidades e se realmente quero comprar aquilo é essencial. Eu preciso ter essas informações, saber o meu objetivo e me programar para isso. Comprar sem pesquisar antes, acreditar que é uma promoção porque está escrito que é, é um dos erros mais absurdos que as pessoas ainda cometem. No impulso acabam realizando a compra”, defende.

Para a especialista em economia comportamental e planejamento, gestão e educação financeira pessoal. A internet é uma ferramenta de pesquisa que facilita o consumidor analisar os preços antes de adquirir algo.

“A temporada foi importada dos Estados Unidos para o Brasil. Depende de cada consumidor como encara o período do Black Friday. Quero comprar? O cuidado da pesquisa é primordial. Vejo muitas pessoas aproveitando, porque fizeram uma lista de desejo, pesquisou e viu que não era uma fraude, sempre está preparado para não ser passado para trás”, diz Andreia.

Está dentro do orçamento?

Outra dica que pode salvar nesse período é a análise no orçamento pessoal. Andreia reforça que o consumidor pode aderir ao parcelamento desde que tenha o valor à vista, por exemplo, a compra parcelada não irá comprometer o orçamento futuro.

“Se não está na sua programação de compra, não compre. ‘Ah, mas está ali e tem um bom custo benefício’. Temos que deixar de fazer contas mentais e colocar no orçamento, montar uma planilha de gastos e o orçamento real do mês. Se visa algo para comprar alguma coisa que compraria no Natal, por exemplo, se tiver fazendo uma programação e estiver um bom preço, desde que esteja no limite que estabeleceu, por que não comprar?”, finaliza.