A FNL (Frente Nacional de Lutas Campo e Cidade) promete novas invasões de terras em Mato Grosso do Sul. O movimento ocupou fazenda em Japorã no final de semana e deixou o local após confronto com fazendeiros, no domingo (19).

Contudo, a direção nacional da FNL disse ao Jornal Midiamax que o movimento terá continuidade no Estado. “Vamos retomar a luta em MS. O Carnaval vermelho foi o início”, afirma o coletivo de comunicação da Frente.

Enquanto isso, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) expande acampamentos no Estado. Cerca de 600 famílias constroem barracos às margens da BR-164, próximo a Ponta Porã.

Estruturas de madeira e lona dão forma ao acampamento que foi instalado em cerca de 10 hectares. Conforme o dirigente do MST-MS, Douglas Cavalheiro, a área faz parte de um assentamento.

Carnaval Vermelho

Mato Grosso do Sul é um dos 10 estados em que a FNL realizou ações do ‘Carnaval Vermelho', conjunto de ocupações de terras pelo Brasil. Com início no sábado (18), a Fernanda foi ocupada em , município a 476 quilômetros de Campo Grande.

Segundo nota da FNL, o grupo “ocupou a área e pede às autoridades que cumpram a lei e encaminhe a área para fins de reforma agrária, para que seja organizado um assentamento imediato das famílias”.

No domingo (19), a invasão foi desfeita após confronto. “Incendiaram os barracos e imóveis da propriedade, como mostram os vídeos”, afirma a nota.

No entanto, o assessor de comunicação, Claudemir Novais, adianta que novas ocupações serão realizadas. “Estamos nos organizando”, afirma sem detalhar datas e locais.

Assim, lembra que o movimento está presente no Estado há tempos. “A FNL sempre se organizou no estado pelo MPL (Movimento Popular de Luta), mas agora resolveu ficar a bandeira da FNL”, explica.

Invasões de terras

Ao Jornal Midiamax, o prefeito de Japorã, Paulo Cesar Franjoti (PSDB), garantiu que não há mais invasões em terras do município. “Não tem mais nenhuma ocupação de terra em Japorã”, afirma.

Segundo ele, a fazenda ocupada é “pequena, cerca de 120 alqueires”. Além disso, descarta novas invasões, já que “Japorã não tem área de terra improdutiva e também não tem grandes fazendas”.

A Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) repudiou as invasões a propriedades, públicas ou privadas, destinadas à produção agroindustrial. Assim, “clama para que o atual governo intervenha junto às lideranças dos movimentos insurgentes no sentido de apaziguar a vida no campo”.

O pedido é para que “a agricultura e a pecuária brasileiras continuem sendo a locomotiva da economia nacional, cuja contribuição se mantenha ou até supere os 25% de nosso PIB”.

Em Presidente Venceslau, uma das cidades paulistas com invasão, a FNL recebeu prazo para deixar as terras. No município, a juíza Viviane Cristina Parizotto Ferreira ordenou saída voluntária até a sexta-feira (24). Então, se o movimento não deixar as terras, haverá intervenção policial.

Acampamentos crescem em MS

Outro movimento crescente em MS é o MST, que busca a reforma agrária e distribuição de terras a partir de acampamentos. “Tem muitas pessoas que querem sair do aluguel e vão morar no acampamento”, afirma o dirigente do movimento no Estado.

O novo acampamento começou há cerca de uma semana. “Por causa da chuva, muita chuva, está meio devagar ainda. Mas estamos na construção”, garante Douglas.

São cerca de 10 hectares de acampamento a quase 30 metros da rodovia. “A área em que a gente está ali é uma área social, é uma reserva do assentamento Nova Conquista”, destaca.

Assim, a organização das famílias fica a cargo do diretório do MST do Estado. “Quando a família vem fazer o cadastro a gente já fala para ela trazer madeira, alimentação e lona para construção do barraco. Cada família faz sua casinha lá”, detalha.

Douglas diz que a maior parte das famílias acolhidas “vivem em situação de pobreza, sem condições para aluguel, energia. Então, elas vêm para o acampamento para poder se organizar e fazer uma luta para ter uma conquista lá na frente”.

O MST-MS possui outros três acampamentos fixos no Estado. São localizados em Japorã, e Sidrolândia.

No Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra há mais de 17 anos, Douglas garante que novos acampamentos surgem de acordo com a procura das famílias. “As famílias que procuram a gente para se organizar, elas veem uma oportunidade agora, com esse governo”.

Demanda reprimida

Segundo o deputado federal e coordenador da bancada federal de MS, Vander Loubet (PT), os novos acampamentos não são reflexo direto da gestão de . “Na verdade acho que é uma demanda reprimida enorme, faz, talvez, mais de 8 anos que não se assenta mais uma família. Isso é uma realidade que nós temos de famílias precisando ser assentadas”, destaca.

Assim, afirma que é “natural que no Governo do Lula esse povo crie esperança”. Além disso, Vander pontua que o acampamento é ‘uma forma de pressão', que naturalmente obriga o governo a encontrar saídas para atender essas famílias.

Contudo, lembra que Lula assumiu a presidência há menos de dois meses. “Claro que a hora que você acampa na beira da estrada, você explicita a sua demanda e necessidade, mas tem que ter paciência também porque nós estamos há 60 dias governando esse país. Então é importante ponderação, é importante ter tranquilidade”, ressalta.

Por fim, reforçou a confiança de que as famílias serão atendidas. “Não tenho dúvida de que o presidente Lula vai distensionar, como fez quando assumiu”. Então, lembrou da gestão do ex-governador em MS.

Para deputado, acampamentos são movimento ‘normal'

O deputado estadual Zeca do PT fez declaração sobre novos acampamentos do MST em MS. “Acho absolutamente normal, do mesmo jeito que os ditos patriotas acamparam em frente aos quartéis fazendo agitação política e pedindo ditadura militar. Ninguém falou absolutamente nada”, declarou.

Ao Jornal Midiamax, o deputado confirmou a fala. Assim, lembrou que os movimentos não irão conseguir resultados imediatos. “Não tem dinheiro para aquisição de terra para reforma agrária, possibilidade nenhuma, e as pessoas têm que aguardar o momento oportuno para reivindicar”, apontou.

Por fim, destacou que a prioridade deve ser as comunidades já fixadas no Estado. Disse que deve haver busca por “condições para que os assentamentos que já existem, aldeias e comunidades quilombolas possam ter uma política para melhorar sua vida”.