Você já comprou alguma coisa na Polishop? Presente no Brasil inteiro, a rede varejista se tornou um dos assuntos mais comentados na mídia nacional devido ao fechamento de mais de 100 unidades em shoppings após empresa virar alvo de uma série de processos e ações de despejo. Em Campo Grande, a situação não é diferente, afinal, a última unidade presente em shopping lida com ação de despejo por uma dívida que supera os R$ 300 mil e envolve até falta de pagamento de energia elétrica e ar-condicionado, o que pode colocar unidade no alvo de encerramento das atividades nos próximos meses.

A Polishop é uma rede varejista de eletrodomésticos, eletrônicos e utensílios domésticos. Conforme o Estadão, a empresa acumula ao menos 30 processos no Tribunal de Justiça de São Paulo e dívidas chegam a R$ 9 milhões por falta de pagamento de aluguéis. Assim, uma das medidas que a Polishop estaria fazendo para tentar equilibrar as vendas em meio às negociações é cortar pela metade o número de lojas e funcionários.

Atualmente, a varejista tem 120 lojas e cerca de 1,5 mil funcionários, menos da metade dos números divulgados à imprensa em janeiro. Uma dessas unidades está situada na capital sul-mato-grossense, mais especificamente no térreo do Shopping Campo Grande, na Avenida Afonso Pena.

Apesar do anúncio do fechamento das lojas ser recente, a empresa já vem sofrendo dificuldades há, pelo menos, alguns meses. Afinal, a Polishop também enfrenta uma ação de despejo movida pelo Shopping Campo Grande desde março deste ano.

Conforme petição inicial, que corre na 3ª Vara Cível, a incompatibilidade entre as partes estaria acontecendo por falta de pagamento de aluguel. Assim, a Polishop é apontada como devedora de R$ 300 mil e, por isso, unidade também pode estar no radar do “fechamento em massa” conforme o andar dos trâmites judiciais. Entenda mais detalhes abaixo.

Ação de despejo por falta de pagamento

O Shopping Campo Grande entrou com ação de despejo por falta de pagamento contra a Polishop em março de 2023. Na petição, o centro comercial alega que fechou contrato de renovação de aluguel com a empresa em 11 de outubro de 2018. Assim, empresa estava liberada para usar o espaço entre 1º de janeiro de 2019 até 31 de dezembro de 2023.

No entanto, a inadimplência da varejista impediria a continuação do combinado, uma vez que a Polishop estaria infringindo o contrato por falta de pagamento dos aluguéis e encargos locatícios entre dezembro de 2022 e março de 2023.

“A ré vem inadimplindo com alugueres mensais, despesas comuns, FPP e demais encargos locatícios específicos, como energia elétrica, ar-condicionado etc”.

Assim, shopping defende que a Polishop está devendo R$ 250.185,03 de aluguel. Então, com correção monetária e multa contratual de 10%, o valor devido pela varejista chega a R$ 300.222,04.

Shopping nega audiência de conciliação

Nesse cenário, o Shopping Campo Grande afirma não ter interesse em fazer audiência de conciliação, isso significa que as tentativas de negociação podem ser deixadas de lado dependendo do que for decidido na Justiça.

Além disso, o centro comercial exige que, caso a empresa deseje evitar a rescisão de contrato e efetuar o pagamento dos débitos no prazo de 15 dias, valores deverão ser acrescidos de correção monetária, juros legais, multa contratual, custas processuais e honorários advocatícios no percentual de 20% sobre o total do débito devidamente corrigido até o efetivo pagamento. A custa foi avaliada em R$ 417.535,68.

A ação de despejo ainda está em fase inicial e, por enquanto, não contém a manifestação da Polishop nos autos.

É a última unidade ainda presente em shopping

A loja Polishop citada na reportagem é a última ainda existente em shopping na Capital. Isso porque, conforme a assessoria de imprensa do Shopping Norte Sul Plaza, a empresa já saiu de lá há algum tempo e espaço atualmente está locado para uma empresa de vestuário masculino.

A empresa também não consta no Shopping Bosque dos Ipês e no Pátio Central. Ainda sobre esse assunto, o Shopping Campo Grande alegou que não irá se manifestar em relação ao fechamento das lojas da Polishop e nem sobre a ação de despejo que já corre na Justiça.

O que diz a empresa

À imprensa nacional, João Appolinário, presidente e fundador da Polishop, alegou que o encerramento das atividades está descartado. Assim, a empresa está focada na expansão da rede por meio de franquias. Appolinário também disse que a reestruturação foi necessária para enfrentar o atual momento do varejo, conforme o Estadão.

O Jornal Midiamax também solicitou um retorno à assessoria de imprensa da Polishop sobre o fechamento das 100 lojas e se alguma delas seria de Mato Grosso do Sul. No entanto, resposta ainda não foi enviada. Espaço segue aberto para manifestações.