Os ônibus do transporte coletivo de Campo Grande devem voltar às ruas na próxima quinta-feira (19), conforme afirma o presidente da Federação dos Trabalhadores do Transporte de Mato Grosso do Sul e diretor financeiro do sindicato de Campo Grande (STTCU-CG), William Alves da Silva. Todos os veículos do Consórcio Guaicurus amanheceram nesta quarta-feira (18) parados na garagem.

A paralisação desta quarta-feira está ligada à reivindicação de reajuste salarial de 16% dos trabalhadores do transporte referente a 2022. A negociação ocorre desde dezembro do ano passado.

A empresa ofereceu aumento de 6,4% sob a alegação que é preciso primeiro definir o novo valor da tarifa do transporte, um percentual que tem sido rejeitado pela categoria.

“Não é o intuito da categoria prejudicar a população. Nós só estamos defendendo um direito legal do trabalhador do transporte coletivo que é ter seu reajuste salarial. Para ficar claro, hoje não é greve. Para ser greve tem todos os procedimentos burocráticos. Hoje é uma paralisação. Provavelmente amanhã voltam ao normal os ônibus”, frisou William Silva, em live do Jornal Midiamax.

Nesta quarta-feira foi publicado um edital que convoca 1,5 mil trabalhadores do transporte para uma assembleia geral extraordinária no próximo sábado (21), com a primeira chamada às 8h30. O documento é assinado pelo STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande). 

Na reunião será discutida a pauta de reivindicações da categoria, os desdobramentos jurídicos e o indicativo de greve. No final da tarde de terça-feira (17), o juiz plantonista negou o pedido do Consórcio Guaicurus de suspender a paralisação de hoje. 

Caso os trabalhadores decidam pela greve, a decisão deve ser comunicada aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 horas.

Consórcio quer passagem a R$ 8

Anualmente avaliado em novembro, o Consórcio Guaicurus considera que o reajuste da passagem do transporte público de Campo Grande pode chegar a R$ 8. Atualmente, a tarifa custa R$ 4,40 aos passageiros, mas, de acordo com o diretor-executivo do consórcio, Robson Strengari, o novo preço considera diversos fatores, como a alta do combustível e INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor).

“O estudo ainda não foi concluído e a Agereg que decide, mas o reajuste chega em torno de R$ 8. Ainda temos nesse mês a negociação de reajuste salarial de funcionários, temos assuntos em andamento para mudanças”, afirma.

O que diz a Prefeitura?

Em meio à paralisação dos trabalhadores do transporte público, a Prefeitura de Campo Grande afirmou que aguarda relatório que avalia o que seria percentual aceitável de reajuste da tarifa. O Consórcio Guaicurus, empresa que administra a frota de ônibus da cidade, pede aumento da passagem de R$ 4,40 para R$ 8.

“O reajuste da tarifa está sendo cautelosamente estudado, e o poder executivo tem feito todo o possível para continuar subsidiando as gratuidades para estudantes, idosos, pessoas com necessidades especiais e seus acompanhantes”, informou o Município por meio de nota. 

No texto, a Prefeitura pontuou as últimas aplicações de recursos no transporte na cidade, por exemplo, convênio com o Governo do Estado, que passou a subsidiar o serviço desde o ano passado. Também, repasse de verbas federais para que o Consórcio custeasse gratuidades para idosos entre janeiro e outubro de 2022, com valores a repassar mensalmente para cobrir as benefícios.