Cotidiano

Vacinação pode evitar que crianças de 5 a 11 anos sejam vetores de covid em MS na volta às aulas

Rede Municipal prevê retorno totalmente presencial em fevereiro de 2022 em Campo Grande

Mylena Rocha Publicado em 31/10/2021, às 09h39

"Elas poderiam levar a covid para os idosos em casa", diz especialista.
"Elas poderiam levar a covid para os idosos em casa", diz especialista. - Henrique Arakaki/Midiamax

As aulas totalmente presenciais na rede estadual de Mato Grosso do Sul já voltaram, mas o retorno às escolas municipais tem preocupado pais em Campo Grande. A cautela vem do fato de que o público-alvo na Reme (Rede Municipal de Ensino) é de crianças menores, que estão no ensino infantil e primeiros anos do ensino fundamental. Enquanto na rede estadual, o público-alvo é de adolescentes, que já foram contemplados pelo calendário de vacinação contra covid.

Nesta semana, a Pfizer anunciou que entrará com pedido de autorização na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para que a vacina seja aplicada em crianças. O objetivo é vacinar crianças com idade entre 5 e 11 anos. "A submissão do pedido junto à Anvisa para a aprovação do uso da vacina ComiRNAty, da Pfizer/Biontech, para crianças entre 5 e 11 anos deve ocorrer ao longo do mês de novembro", informou.

A imunização das crianças também tem sido uma das reivindicações do secretário estadual de saúde, Geraldo Resende. O secretário aponta que o Estado aguarda somente a sinalização do Ministério da Saúde. “Esperamos que o Ministério da Saúde defina a faixa etária que vamos iniciar a imunização, nós temos vacina. Vai ser nas crianças, mas que idade? De 5 a 11 anos? Precisamos que o Ministério defina claramente”, disse.

A vacinação das crianças pode significar tranquilidade para os pais, com a volta às aulas 100% presenciais na rede municipal em 2022. “Para o ano que vem está tudo organizado para começar em fevereiro 100% integral”, disse o prefeito Marquinhos Trad (PSD).

O infectologista Rodrigo Nascimento Coelho explica que, sem vacina, as crianças pequenas poderiam se tornar os principais vetores do vírus na pandemia. Elas poderiam levar a covid para os idosos em casa, que têm baixa de anticorpos, mesmo vacinados. Entretanto, o especialista pede cautela. 

“Temos que analisar muito bem a segurança desta vacina para as crianças. Mas, uma vez comprovada a segurança da vacina para crianças, elas devem ser indicadas para todo mundo”, ressalta. 

“Temos que analisar muito bem a segurança desta vacina para as crianças”, diz médico infectologista. (Foto Ilustrativa: Henrique Arakaki)

Fim da pandemia é possível sem vacinar crianças? 

Enquanto a vacina para os menores de 12 anos não é liberada, a pergunta que não quer calar é: como chegaremos ao fim da pandemia? Afinal, é possível o fim da pandemia sem vacinar as crianças? A pergunta é difícil de ser respondida. Por ser uma doença ainda considerada recente, tudo ainda é incerto. O infectologista Rodrigo aponta que é preciso que todos que estão inclusos no calendário garantam a imunização. 

“É possível falar do fim da pandemia sem vacinação das crianças, uma vez que o vírus tenha diminuído bastante a sua circulação. Com a  vacinação do público mais suscetível a complicações, a tendência é diminuir muito ou acabar por completo a pandemia. Mas, a vacina sendo segura para crianças, isso intensifica o objetivo de acabar com a pandemia”, conclui. 

Jornal Midiamax