Após prefeito do PSDB furar fila, mais duas cidades de MS terão vacinação monitorada

Mais dois municípios sul-mato-grossense terão a vacinação contra o novo coronavírus fiscalizada pelas promotorias de Justiça. Conforme publicação no Diário Oficial do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Cassilândia e Brasilândia deverão prestar informações sobre o processo de imunização. O trabalho é feito para evitar que haja irregularidades na destinação das doses...
| 22/01/2021
- 19:33
Após prefeito do PSDB furar fila, mais duas cidades de MS terão vacinação monitorada
(Foto: Ilustrativa/ Henrique Arakaki, Midiamax) - (Foto: Ilustrativa/ Henrique Arakaki, Midiamax)

Mais dois municípios sul-mato-grossense terão a vacinação contra o novo coronavírus fiscalizada pelas promotorias de Justiça. Conforme publicação no Diário Oficial do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), Cassilândia e Brasilândia deverão prestar informações sobre o processo de imunização. O trabalho é feito para evitar que haja irregularidades na destinação das doses.

Em Nioaque, a aplicação irregular já virou alvo de investigação contra o próprio prefeito. Valdir Júnior, do PSDB e de 37 anos, admitiu ter passado à frente e sido imunizado durante vacinação na Aldeia Brejão. Como justificativa, afirmou que foi vacinado para incentivar a população indígena que estaria resistente.

Com o início da vacinação nesta semana em vários pontos do Estado, as promotorias começaram a abrir procedimentos para acompanhar, por exemplo, o gerenciamento das doses recebidas. Nos procedimentos administrativos abertos, são solicitadas das prefeituras informações sobre o cadastro dos grupos prioritários e até em relação às doses recebidas. O trabalho é feito para que ninguém fure a fila, cujos beneficiários foram definidos pelo .

Nessa primeira etapa, a vacinação em MS conta com 158,7 mil doses destinadas a indígenas aldeados, idosos em situação de acolhimento e profissionais que atuam na linha de frente da .

Após prefeito do PSDB furar fila, mais duas cidades de MS terão vacinação monitorada
Prefeito de Nioaque durante entrega de obras com governador. (Foto: Hosana de Lourdes)

Primeira investigação

O caso de Nioaque veio à tona por meio de denúncia e nesta sexta-feira (22) já foi marcada oitiva de sete pessoas que foram intimadas a prestar depoimento.

Elas serão ouvidas na Promotoria de Nioaque, onde procedimento foi aberto. Essa é a primeira investigação a vir a tona no Estado, após intensa campanha do MPMS e MPF (Ministério Público Federal) para que as 158,7 mil doses recebidas sejam efetivamente usadas nos grupos de risco. Por meio de nota, o chefe do Executivo disse ter sido imunizado para ‘incentivar’ a população indígena.

As primeiras doses da vacina chegaram ao município na terça-feira (19) e a vacinação teve início na Aldeia Brejão. Conforme divulgado pela prefeitura, os contemplados na primeira etapa seriam os indígenas e profissionais de saúde, seguindo o parecer técnico do Ministério da Saúde e do Governo do Estado. Consta na publicação oficial que o prefeito havia acompanhado os trabalhos.

Contudo, denúncia oriunda do local informou ao MP que ele também foi imunizado, mesmo tendo 37 anos de idade e sem informação de comorbidade. Após a irregularidade vir à tona, Valdir argumentou que o povoado indígena estava ‘resistente’ e sua imunização foi uma forma de mostrar que a vacina não oferece risco. Na ocasião, 69 indígenas receberam o antivírus.

Com formação em odontologia, ele afirmou ainda que é profissional da área da Saúde e atua na linha de frente da pandemia. No País, vários casos de políticos e seus parentes furando fila da vacinação vêm sendo relatados.

Em nota, o prefeito afirmou que foi imunizado a pedido de lideranças indígenas, que teriam solicitado que o prefeito desse o “exemplo”, já que há resistência em muitos indígenas em se vacinar.

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