Nomeações em Campo Grande para quem nunca passou em concurso se tornaram brecha para esquema de exploração sexual, compra de apoio político e desvio de público com rachadinha.

Mesmo assim, os políticos ainda dão como certa a blindagem e esperam abafar mais um escândalo.

Os cargos são distribuídos descaradamente em troca de favores diretos e, em última instância, apoio político, criando redes de cabos eleitorais que ‘são de fulano’.

A expressão revela como os políticos tratam os apaniguados: quem nomeia ou indica a nomeação se considera ‘dono’ do eleitor.

Nesta rede, políticos, líderes comunitários, pastores, empresários e até famílias listam suas tribos que viram ativo para negociar nas eleições. É uma reedição pasteurizada do voto de cabresto.

Vereadores seduzidos e ‘cala boca’ na Tribuna

Além disso, os esquemas evoluíram em Campo Grande e passaram a instrumentalizar as nomeações sem concurso. Assim, entidades tidas como sérias tiveram o nome jogado no lixo ao servirem para ‘esquentar’ a picaretagem e dar ares de lisura que não existe.

Muitos vereadores que no passado reclamaram porque sabiam que a prática desequilibra a disputa política, acabaram cooptados e seduzidos pela chance de também mandarem as famosas ‘listinhas de indicações’.

Desta forma, na Câmara Municipal a ordem seria de boca calada sobre o assunto.

Vereador comentou o assunto e chegou a ligar para implorando ser ‘deixado de fora’ porque, segundo ele, a pressão estaria grande.

Tudo dominado: ‘Deve render mais um acordinho’

Por outro lado, o assunto já foi visitado oficialmente e rendeu sanções que enterraram entidade centenária que se dizia de índole seleta e caridosa. Aceitou ser QG para operar cabide de empregos e perdeu até a sede.

Gente séria que participou de investigações acha que os políticos implicados escaparam com pouco ou nenhum prejuízo por ingerência de ‘mãozinha superior’.

Agora, o esquema que só mudou de operadores deve até render novo procedimento para fins protocolares.

No entanto, políticos já antecipam em rodinhas com colegas que deve sobrar, no máximo, ‘um acordinho para mudar a conduta’.

Mais uma vez, mesmo cientes dos ilícitos, todos confiam no papel do gabinete da blindagem e usam o trunfo para desanimar os mais revoltados com todo lamaçal que toma conta de nomeações em setores importantes da administração municipal de Campo Grande.

Rastro de ilícitos e cheiro de pecado nas nomeações em Campo Grande

As chamadas ‘listinhas de indicações’ reuniriam rastros de inúmeros ilícitos de vários tipos, mas com o mesmo cheiro de pecado.

Desta forma, haveria desde jovens que ganharam nomeações em troca de sexo com políticos, até pastores nomeados porque apoiaram cismas nas igrejas evangélicas de origem.

Nas eleições, o que se espera é que todos virem cabos eleitorais para garantir a boquinha.

Por isso, as últimas eleições desestabilizaram o esquema. Não deu certo nas urnas e quem ficou de fora expõe as vísceras fétidas da picaretagem.

Rachadinha: ‘bênção’ de indicados volta até para pastor

É assim que suposto esquema de rachadinha nas nomeações em Campo Grande se tornou mais uma vez alvo de denúncia.

Segundo os relatos, além de políticos, líderes religiosos que teriam mandado ‘listinha de indicados’ se favoreceriam de parte dos salários com a rachadinha.

Os nomeados consideram a indicação uma ‘bênção’ e aceitam de bom grado devolver uma parte do salário. Alguns sequer saberiam onde estão lotados e deveriam trabalhar e outros nem ficariam com os cartões bancários.

Assim, todos corrompidos, esquema mantido.

Pastor rachou igreja e indicou nomeados que devem ‘devolver’ parte da bênção

A certeza da impunidade é tanta que, segundo relatos, pastor de igreja recém-fundada em Campo Grande falou do esquema no púlpito. Orientou fiéis sobre devolver parte da ‘benção’ salarial para segurar o .

Nem colegas de outras denominações reconhecem o sujeito como líder eclesiástico. Mas ganhou uma ‘listinha de indicados’ por apoio político-partidário que rachou igreja na última campanha.

Assim, pastores de ministérios mais antigos temem que os evangélicos de Campo Grande mais uma vez acabem expostos pelos abusos de ‘laranjas podres’.

Indignados, citam o que Jesus disse ao flagrar negociatas no Templo, segundo os evangelhos: “Minha casa será chamada casa de oração, mas vocês estão fazendo dela um covil de ladrões”.

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