Política

Aquário: mil peixes chegaram mortos, mas foram listados como vivos

Empresa apresentará novo relatório dia 30 de julho

Midiamax Publicado em 14/07/2015, às 22h30

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Empresa apresentará novo relatório dia 30 de julho

Deputados estaduais que compõe a comissão de acompanhamento das obras do Aquário do Pantanal perceberam que a incompatibilidade no número de peixes, apresentados em relatório pela empresa Anambi Análise Ambiental, pode ter sido ocasionado pela soma de mais mil espécies. No entanto, estes peixes, trazidos por uma empresa de Manaus (AM) a pedido da Anambi, chegaram a Campo Grande mortos e foram listados como vivos, o que de acordo com o presidente da comissão, Lídio Lopes não poderia ter ocorrido.

“Deram entrada nos peixes como se eles estivessem vivos e por isto o inventário da quantidade de peixes começou a aumentar. Estes animais não deveriam ter sido lançados. Agora esta empresa de Manaus irá repor os peixes”, disse o deputado.

Segundo informações do parlamentar, a empresa Anambi apresentou relatório em junho onde haveria 7.445 peixes para o Aquário do Pantanal. Depois, no dia 30, novo documento trouxe um número superior de animais: 13.445.  O mesmo relatório, de acordo com Lídio, foi entregue à comissão e também à Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul) responsável pelo projeto científico da obra de André Puccinelli (PMDB), ex- governador do Estado.

Por causa da diferença no quantitativo de peixes, a empresa entregará novo inventário até o dia 30 de julho com informações mais detalhada sobre o número de animais vivos e quantos morreram. Depois, a Fundação analisará os dados e deve emitir parecer dentro de 60 dias.

Amanhã a diretoria da empresa Anambi se reunirá com deputados na Assembleia Legislativa para esclarecer dúvidas.

“Vamos ouvir todo mundo e analisar os contratos, saber dos recursos usados e o motivo que o fez parar. Ainda não temos conclusões. Se houve irregularidades vamos buscar punições e devolução dos recursos empregados”, antecipou Lídio.

Rescisão do contrato

A Fundect rescindiu quatro contratos que mantinha com a  Anambi depois de constatar falha da execução do projeto científico elaborado para o Aquário do Pantanal. Consultores da Fundação realizaram vistorias no armazenamento dos peixes e na execução do projeto e notaram que havia erros e por isto cancelou, no último dia 30, o contrato com a empresa.

“O objetivo do projeto, de gerar conhecimento e pesquisa, não foi alcançado e houve falha do desempenho”, resumiu Marcelo Turine, diretor da Fundação.  A Fundect, inclusive, limitou a autonomia da empresa em realizar pagamentos. A Fundação deteve R$ 2.200 milhões que foram concedidos à Anambi.

 De acordo com Turine, a Fundect recebeu duas solicitações da empresa para fazer pagamentos a pessoas físicas e bolsitas que trabalhavam no processo de quarentena dos peixes. “Eram solicitações de pessoas físicas incorretas, contrárias à legislação estadual e por isso não foi autorizado o pagamento”. contou.

Ninguém sabe

Até hoje não se sabe ao certo quantos peixes que eram para povoar o Aquário do Pantana morreram. Em documento feito pela própria Anambi, os técnicos afirmavam que mais de 10 mil haviam morrido por vários fatores, entre eles a mudança de temperatura do ambiente. Depois, a diretoria da empresa alegou que se tratava apenas de uma estimativa, mas, na verdade, a mortandade atingiu de 6 mil a 7 mil exemplares.

O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) agora é responsável por mantê-los vivos e também não apresentou relatório indicando quantos animais de fato estão vivos e o número de peixes mortos.

Agora, depois de reunirem todas as informações e chegarem ao diagnóstico, os parlamentares pretendem ir a campo, ou seja, ao Aquário do Pantanal para averiguar quanto falta para conclusão da obra que se arrasta desde 2011. Puccinelli chegou a estimar inauguração, mas acabou terminando mandato sem fazê-lo. Inicialmente a previsão de investimento era de R$ 80 milhões, porém já foram gastos mais R$ 200 milhões até o momento.

Mesmo sem ter vencido processo de licitação, a Proteco Construções Ltda. é a responsável pela obra desde 2014. O empreiteiro João Amorim é o dono a companhia e está entre os investigados pela Operação Lama Asfáltica que cumpriu 19 mandados de busca e apreensão na semana passada, inclusive na casa do empresário.

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