MPF denuncia promotores paraguaios que receberam caneta Montblanc de Minotauro

Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, um dos chefes do PCC, foi condenado no Brasil a 40 anos de prisão
| 20/05/2022
- 06:47
MPF denuncia promotores paraguaios que receberam caneta Montblanc de Minotauro
Criminoso é uma das lideranças do PCC (Foto: Senad)

O MPF (Ministério Público Federal) do denunciou o ex-procurador antidrogas e ex-vice-ministro de Assuntos Políticos Hugo Volpe, bem como o promotor Armando Cantero, ambos paraguaios, por receber propina para beneficiar Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro. O criminoso é condenado no brasil a 40 anos de prisão.

Segundo a denúncia, no mesmo dia em que uma caríssima caneta Montblanc da coleção Pequeno Príncipe foi entregue ao promotor Hugo Volpe, o processo contra Minotauro foi encerrado no Paraguai. O mesmo presente, de acordo com informações do ABC Color, também foi entregue ao colega Armando Cantero, que é investigado por ter recebido cerca de 10 mil dólares.

Hugo Volpe trabalhou no Ministério Público por 19 anos e chegou a ser colega de Marcelo Pecci, assassinado na Colômbia, em processos contra Minotauro. Ele foi procurador antidrogas e Coordenador Nacional da Unidade Especializada de Combate ao Narcotráfico e da Unidade Especializada de Combate ao até novembro de 2019, quando renunciou ao cargo de vice-ministro de Política Criminal do Ministério da Justiça.

Conforme apontado pela denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal), a organização criminosa comandada por Minotauro tinha sede em Ponta Porã. Assim, com comprovação por indícios e provas, ficou evidente que o grupo tinha um grande esquema de tráfico internacional de drogas.

Com isso, a partir de imagens obtidas pelos celulares apreendidos com o grupo, foi possível identificar como funcionava o esquema criminoso. Além das planilhas com valores milionários da venda e compra da droga em outros países, alguns da Europa, por exemplo, também foram localizadas anotações com nomes e apelidos de integrantes do grupo.

Então, foi apurado como funcionava o esquema que traficava a droga da Bolívia ao Paraguai, depois ao Brasil e assim ao exterior. Tudo era organizado de forma que a cocaína chegava a ser levada pelo ar, em aeronaves com pilotos contratados, e também por água, em contêineres com barris carregados com a droga.

Milhões de euros

Em uma das apurações feitas pelo MPF, foi identificada uma venda de 559 quilos de cocaína na Europa, que resultou em 14,663 milhões de Euros. Isso, hoje pode ser cotado em R$ 93.376.900,00. Para o MPF, restou apurado que a movimentação de caixa dos criminosos era multimilionária.

Além disso, também foi apurado que o grupo agia com pagamento de propina para policiais. Também nas anotações eram contabilizados os controles de gastos com as viagens, pagamentos aos pilotos, fornecedores, aeronaves, pistas de pouso, entre outros.

Para o MPF, Maria, apontada como advogada e namorada de Minotauro, também exercia uma função de liderança na organização criminosa. Sendo assim, era ela quem esquematizava e dava ordens sobre atos de corrupção a autoridades.

Condenação

Após apurada a denúncia e ouvidas as defesas, Minotauro, Maria e Emerson foram condenados pela 2ª Vara Federal de Ponta Porã. Assim, Sérgio Arruda deverá cumprir 40 anos e 9 meses de reclusão, além de 2.224 dias-multas. Também foi mantida a prisão preventiva pelo risco de fuga e também permanecerá em presídio federal, por ser liderança do PCC.

Já Maria foi condenada a 20 anos e 10 meses de reclusão, além de 728 dias-multas. Ela, no entanto, permanecerá no presídio em que está detida e só deve seguir para presídio federal em caso de fato novo que configure risco ou crime. Enquanto Emerson foi sentenciado a cumprir 8 anos e 4 meses de reclusão, além de 291 dias-multas e também teve a prisão preventiva mantida.

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