Operação contra 'Sintonia da Gravata' do PCC em MS atingiu advogados, policial penal e até ex-chefe de cartório

Alvos estariam auxiliando em articulação de atentado contra autoridades
| 25/03/2022
- 16:46
Operação contra 'Sintonia da Gravata' do PCC em MS atingiu advogados, policial penal e até ex-chefe de cartório
Alvos foram presos e levados para ao Garras (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Foram confirmadas as prisões de 6 advogados de Mato Grosso do Sul, que estariam ligados à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), na Operação Courrier, realizada nesta sexta-feira (25). Um ex-chefe de cartório - que é servidor do judiciário - e policial penal também estão entre os presos. Mandado de busca e apreensão foi cumprido na casa do agente penitenciário.

Segundo o advogado Mauro Veiga, que atua na defesa do agente penitenciário, um dos advogados presos cuida do divórcio deste servidor, sendo essa uma ligação entre os alvos da operação. No momento do cumprimento do mandado de busca, o policial penal não estava em casa.

O pai dele relatou que a casa foi ‘revirada’, mas que os policiais “Não levaram uma agulha”. Horas depois, o agente se apresentou no (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) e acabou preso, por força de um mandado de datado de 17 de dezembro de 2021.

Advogados foram presos

A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul) confirmou em nota a prisão dos 6 advogados, alvos da operação. Uma comissão foi criada para acompanhar o caso, mediante proposição feita pelo membro vitalício, conselheiro federal Mansour Elias Karmouche.

O secretário-geral Luiz Renê G. do Amaral foi nomeado para presidir a comissão, acompanhado dos membros, conselheiros estaduais Caio Magno Duncan Couto, Aline Granzotto, e da Presidente da Comissão de Execução Penal, Thais Lara.

“A OAB/MS sempre pautou-se pela ética profissional, não coadunando com qualquer conduta ilícita, ainda mais quando se refere à advocacia. O caso também será analisado pelo Tribunal de Ética e Disciplina, sempre obedecidos o contraditório e a ampla defesa”, finaliza a nota.

Servidores ligados ao PCC

A operação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) cumpriu mandados contra os advogados, um servidor do Poder Judiciário - ex-chefe de Cartório -, servidor da Defensoria Pública e também o policial penal. Outras pessoas também foram alvos em Campo Grande, Dourados, Jardim e Jaraguari.

A ação, denominada Courrier – correspondência -, cumpriu ao todo 38 mandados judiciais. Conforme o Gaeco, a operação mira o núcleo ‘Sintonia dos Gravatas’, célula do em que advogados usam de suas funções para transmitirem recados aos faccionados presos, daí o nome da operação.

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Operação cumpriu mandados em Campo Grande e no interior (Foto: Henrique Arakaki, Midiamax)

Ainda de acordo com o Gaeco, o grupo criminoso estaria articulando atentados contra a vida de agentes públicos, entre eles promotor do Gaeco e um juiz de Direito de Campo Grande. Um advogado foi preso no condomínio Acqua Verano, na Avenida Rachid Neder. Ele é defensor de um dos suspeitos de envolvimento na morte do garagista Carlos Reis Medeiros, conhecido como 'Alma', que desapareceu no dia 30 de novembro de 2021.

Já na rua Sebastião Lima, na residência onde mora um casal, policiais cumpriram dois mandados, sendo um de busca e apreensão e um de prisão. Garras, Batalhão de Choque, Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário) também atuam na operação.

A Defensoria Pública de MS informou em nota que o servidor alvo da operação não é defensora ou defensor público. “A Defensoria informa, ainda, que acompanha o caso que cita o servidor, aguarda por mais informações a respeito da operação e está à disposição para colaborar com as instituições que realizam a investigação no que for necessário”.

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