Entre 15 e 20 de julho, a Felcc (Força Especial de Luta Contra o Crime) da Bolívia informou a retirada de mais de 400 cadáveres de ruas e casas no país vizinho. A suspeita, segundo relatado por agências internacionais, é de que a maioria morreu por conta do novo coronavírus (Covid-19).

Apenas em Cochabamba, a terceira maior cidade da Bolívia (com cerca de 600 mil habitantes), foram retirados 191 corpos. Em La Paz, sede do poder do país vizinho, foram 141, conforme relatado pelo coronel Iván Rojas, segundo quem 85% dos cadáveres são de mortos confirmados pela Covid-19 ou com sintomas da doença.

Só nesta terça-feira (21), 11 corpos foram retirados das ruas de La Paz, conforme relatou a Unitel, sendo que 2 deles testaram positivo para a doença.

As autoridades da Bolívia listaram os casos como suspeitos, não estando certo ser possível realizar a testagem. A região daquelas duas cidades presencia um forte avanço do coronavírus, depois de Santa Cruz de La Sierra se firmar como primeiro epicentro.

Atualmente, são cerca de 60 mil infectados e 2,2 mil mortos na Bolívia, que tem uma população de cerca de 11 milhões de pessoas.

O enfrentamento à doença no país vizinho tem gerado contestações regionais. Em Puerto Suárez, o comitê cívico local bloqueou a Estrada Bioceânica a fim de pressionar o Governo da Bolívia a investir no Hospital San Juan de Dios, que há 10 anos aguarda por melhor estrutura e seria referência para tratamento da Covid-19 na província de German Busch.

Com o fechamento da fronteira –apenas o tráfego de cargas foi liberado, para evitar desabastecimento–, os bolivianos deixaram de contar com o apoio de Saúde de Corumbá –a 419 km de Campo Grande. Com isso, serviços de maior complexidade só estão disponíveis em Santa Cruz, a 600 km dali.