Vovózona, a polêmica sucuri que acasalou com vários machos, agora ganhou o apelido de “ninfomaníaca” nas redes sociais. Isso porque, além da cópula com 4 parceiros, um vídeo da mesma acasalando com outros dez machos em 2016 também veio à tona. Daí o apelido.

O período de reprodução das sucuris-verdes ocorre todo ano no outono brasileiro e o último acasalamento grupal de Vovózona terminou no início de outubro. Portanto, a serpente reconhecida por suas “orgias” já está há um mês sem “praticar”.

De acordo com Daniel De Granville, biólogo especialista na espécie, o acasalamento de sucuris dura semanas, podendo chegar tranquilamente a um mês, e os machos se revezam no processo com uma única fêmea.

Agora, a cobra está grávida e vai gerar seus filhotinhos pelos próximos 7 meses, até dar à luz. Com a barriga cheia de bebês, a sucuri foi flagrada descansando e já se movimentando de forma mais lenta em seu habitat, no Rio Formoso, em Bonito.

Como sempre, quem fez o flagra foi o guia local e monitor ambiental Vilmar Teixeira, o “pai” das sucuris. Na gravação, Vilmar diz acreditar que ela é a maior sucuri já vista no Pantanal, mas não sabe estimar a espessura e o comprimento da cobra.

Assista:

https://www.youtube.com/watch?v=OMtbXtBWn1Q

Sucuri carrega “bebês”

Vovózona, que foi batizada com este nome pelo próprio Vilmar, aparece parada na gravação, descansando por duas horas sem fazer qualquer movimento. Após esse tempo, a serpente finalmente se move.

Seu imenso tamanho já faz com que ela se locomova de forma mais lenta no dia a dia, mas o fato de estar carregando “bebês na barriga” pode contribuir para intensificar a lentidão, como mostra o vídeo.

E após a gestação?

O biólogo Daniel De Granville destaca que sucuris não possuem qualquer instinto materno. “Pelo que se sabe dos estudos, não há cuidado parental. Os filhotes nascem e rapidamente já se dispersam, precisam começar a se virar logo após o nascimento”, pontua.

Os pais, por sua vez, também não chegam a desenvolver laço afetivo com os filhos. “Em tese não há qualquer contato, já que os encontros entre as fêmeas e machos geralmente ocorrem apenas durante a época de reprodução. Durante a gestação, elas ficam solitárias e escondidas”, detalha o especialista em sucuris ao Jornal Midiamax.

Filhote de sucuri avistado nos últimos dias em Bonito - (Foto: Reprodução/Vilmar Teixeira)
Filhote de sucuri avistado nos últimos dias em Bonito – (Foto: Reprodução/Vilmar Teixeira)

Por fim, um bebê sucuri precisa se virar sozinho: ele nasce e já é solto pela mãe na natureza. Seu pai pode ter sido devorado pela matriarca ou simplesmente ter “sumido” após o sexo. Mas, até para isso há uma explicação.

“Não existe aquele cuidado que a gente costuma ver em pássaros ou mamíferos, por exemplo, onde os pais (ou apenas a mãe, dependendo da espécie) fornecem alimento aos filhotes até que eles consigam sobreviver por conta própria. Este pode ser um dos motivos pelos quais as sucuris têm uma quantidade muito maior de filhotes (em média 30) do que um tucano ou uma onça, por exemplo, já que uma porcentagem pequena conseguirá atingir a vida adulta”, finaliza ele.

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