“É ate engraçado relembrar isto, mas, eu fugia da faxina no Exército para cantar, quando atuava na 14° Cia. O sargento perguntava: ‘Cadê o Rodrigues?’ E quando ia ver eu estava lá na barbearia, tocando violão, cantando e animando a galera. Eu gostava bastante e foi lá que eu conheci o meu parceiro. Agora, estou em carreira solo, cantando e ainda compondo músicas”.

Foi relembrando os tempos de garoto, em uma tarde quente no Parque das Nações Indígenas, em Campo Grande, que o MidiaMAIS encontrou com o músico Josimário José Oliveira Rodrigues, de 54 anos. Com este nome, praticamente ninguém o conhece, porém, é só falar na dupla Verão e Ventania ou então, no Vinicius da Bahia, que muitos sabem de quem se trata.

Em nome deste sonho, Vinicius lançou carreira solo recentemente e surpreendeu ao escrever uma canção sobre as mulheres, a qual demorou cinco anos para ser escrita, gravada e encerrada, após o que ele chama de “ajustes”. A outra música homenageia nossa cidade e foi divulgada no último dia 26 de agosto, citando araras, onças e até o fundador de Campo Grande, José Antônio Pereira.

Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax
Foto: Henrique Arakaki/Jornal Midiamax

“Eu nasci em Salvador, mas, vim com a família para Campo Grande nos anos 90. Meus pais chegaram aqui em busca de trabalho. Ninguém era envolvido com músico, com exceção de um primo que cantava na igreja lá em Três Lagoas. Só que ganhei um violão de presente, aos 17 anos. Me despertou um interesse enorme, só que logo em seguida fui para o quartel”, explicou Vinicius.

Vinicius conheceu parceiro no Exército e com ele formou a dupla Verão e Ventania

Foto: Reprodução

Mesmo com a atuação militar, o destino continuou se cumprindo e ele conheceu o parceiro Ailton, com quem lançou a dupla Verão e Ventania. “Nosso estilo musical era o sertanejo e forró e deu super certo. Nós tivemos apresentações na televisão, em festivais e até em showmícios que existiam na época. Cantamos por 15 anos, só que o meu parceiro sabia o quanto eu gostava de tocar Zé Ramalho, Fagner e outras músicas estilo MPB. E nisso tudo o negócio dele era só sertanejo”, comentou Rodrigues.

Com o fim da dupla, Vinicius viajou para São Paulo e buscou oportunidades na capital paulista. “Lá eu tive a sorte de conhecer, conviver e até fazer parcerias com artistas renomados. Fiquei dois anos por lá. Quando voltei para Campo Grande, continuei com essas parcerias e consegui algumas oportunidades. Me apresentei na Festa do Peixe, em Coxim, na Festa da Linguiça, em Maracaju, até que me envolvi em outro projeto e fui novamente para São Paulo gravar um disco”, relembrou.

Entre 2005 e 2006, Vinicius estava nessas idas e vindas, até que o nome da antiga dupla dele foi citado no Fantástico, da Globo. “Um repórter fez uma reportagem especial sobre nomes exóticos de duplas e, nesta relação, estava lá o Verão e Ventania. Eu então contactei o meu antigo parceiro, só que a gente não retomou a dupla. A emissora local aqui fez uma matéria comigo e saiu novamente neste programa. Foi bem bacana na época, porém, não vingou da gente retomar porque não queria mais o sertanejo e sim cantar Djavan, Caetano Veloso, Belchior e Fagner, por exemplo. É mais o meu estilo”, argumentou.

‘Acredito que música precisa ter fundamento’, diz Vinicius

Vinicius escreve canções há quase 4 décadas. Foto: Reprodução e Henrique Arakaki/Jornal Midiamax
Vinicius escreve canções há quase 4 décadas. Foto: Reprodução e Henrique Arakaki/Jornal Midiamax

Na Expogrande, ele também conta que mais uma vez comprovou o seu estilo musical. “Estava fazendo um show sertanejo e alguém começou a gritar: ‘Toca Raul, toca Raul’. Foi quando cantei músicas dele, no violão também. E continuei trabalhando. Fui contratado por padre para escrever músicas, fiz homenagens ao homem negro em uma canção e segui escrevendo, até que veio a inspiração para a música sobre as mulheres. Acredito que toda música precisa ter um fundamento”, avaliou o profissional.

Esta canção para elas, segundo Vinicius da Bahia, demorou cinco anos para ser finalizada. “Quando eu terminei a letra, com ritmo tudo, tinha um ano. Mas aí fui tendo visões, escutei a opinião de amigos, conhecidos e ela foi se moldando como uma declaração de amor à mulher. Teve vários ajustes. Eu digo que a mulher é um pilar: é mãe, é irmã, estamos sempre rodeados de mulheres. É também quem, às vezes, colabora e lava sua roupa, é a vizinha, então, é algo muito forte, mais que o paternal na minha avaliação. Não que eu venha a desprezar os homens, ainda posso escrever uma canção para os pais por exemplo”, disse.

Durante a escrita, o cantor conta que foi relembrando da Eva, da mãe, da primeira namorada e algumas professoras. Já na canção sobre Campo Grande, ele diz que a composição é uma singela homenagem a cidade que o encanta diariamente. “Estou aqui retomando minha carreira solo, desde 2021, me apresentando em aniversários, supermercados, festas, então, sou muito agradecido a esta cidade. Falo do amor que sitno, das araras, do Parque das Nações e chamo a nossa cidade morena de minha amiga”, finalizou.

Veja o clipe e ouça a música que homenageia Campo Grande:

Ouça a música sobre as mulheres:

https://www.palcomp3.com.br/viniciusdabahia/mulher/