Muito além das compras: em Pedro Juan Caballero, a noite é um atrativo à parte
Restaurantes, cassinos e boates animam a noite da cidade
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Restaurantes, cassinos e boates animam a noite da cidade
À noite, quando todo gato é pardo, os contrastes entre Brasil e Paraguai diminuem, muito embora os motoqueiros circulem livremente sem capacete, a sinalização de trânsito seja ausente em alguns cruzamentos, gerando certa ‘emoção’, e a conservação das vias – limpeza, asfalto e calçadas – consiga ser ainda pior. Todavia, a noite pedrojuanina guarda um certo charme, tem um quê de Pedro Almodóvar, difícil de explicar.
Do hotel brasileiro, que fica quase em frente ao Shopping China, são cerca de dez minutos de carro até a região central de Pedro Juan Caballero, onde está o restaurante Parrillada Grill, um lugar simples, aparentemente tradicional, amistoso e com uma estética um tanto quanto kitsch. O lambri de madeira nas paredes rememora os anos 80 enquanto a área externa traz a sensação de um restaurante praiano, por conta das luminárias e arandelas de cerâmica. Nas paredes, quadros, fotografias e recortes de jornais reforçam a ideia de que há uma forte identidade paraguaia do lado de lá da fronteira. Uma bandeira do país pendurada é souvenir da recente visita do Papa Francisco ao catolicíssimo Paraguai.
“O Paraguai é muito católico, tem poucos crentes aqui. A visita do Papa foi uma bênção, esperávamos por isso há muito anos”, disse um senhor paraguaio atrás do balcão, em português, após questiona-lo sobre a visita do pontífice. “Muita gente daqui viajou para assistir à missa dele”, destacou.
Já na mesa, o prestativo garçom trouxe a famosa parrillada, cujas entradas foram mandioca frita, sopa paraguaia e pipoca. A parrillada é um prato com diversos cortes de carne bovina e suína na chapa: bisteca, picanha, costela, vísceras, chorizo e a morcilla – uma linguiça preenchida com sangue, cujo sabor é forte e requer… preparação espiritual. O pagamento, mais tarde, seria em reais, mesmo.
“Ter filho aqui é um pouco complicado, tem que ficar atenta”, confidenciou-me da mesa ao lado uma brasileira nascida e criada em Ponta Porã, mas que é ‘habitué’ de Pedro Juan. “A gente nunca sabe se nossos filhos estão brincando com uma criança comum ou com o filho de um cara procurado pela Interpol. Tem que ficar atenta”, completou.
Décadence avec élégance
Pedro Juan Caballero dispõe de vários cassinos, direcionados principalmente aos turistas brasileiros, já que aqui a jogatina é ilegal. Porém, pouco lembram o glamour de Las Vegas, os cassinos da cidade têm iluminação fraca e cheiram a cigarro e mofo, por conta do carpete que costuma cobrir o piso. Na frente, há um segurança com cara de jagunço portando um rifle e a indicar que ‘algo’ poderia acontecer ali a qualquer momento. No interior, brasileiros com camisa aberta até o umbigo tomavam uísque e tentavam a sorte na roleta. Uma garçonete atendia aos pedidos dos clientes e providenciava fichas.
No entanto, era um cassino e a possibilidade de sair com algum dinheiro a mais é algo que prende o visitante na cadeira. O jogo se torna interessante e o tempo passa rápido sem percebermos. Os cassinos são divertidos, mas não são programa para toda a família. Por mais que a luz neon e o som dos caça-níqueis alegrem um pouco o ambiente, é ausentar-se do local para perceber a decadência, talvez pela clandestinidade dos jogos de azar no Brasil. Culpa?
O imperialismo brasileiro sobre o país vizinho é mais que econômico, também é cultural. No cassino, o som ambiente ora tocava música latina, ora algum sertanejo brasileiro. Lá, os funcionários também falam português. “Aprendemos desde cedo aqui, temos que falar o português por conta dos brasileiros, que nos visitam bastante”, disse Lúcia Sánchez, uma das garçonetes do Cassino, com um pouco de sotaque. “Praticamente todo mundo habla… fala português aqui, é quase uma terceira língua”. Terceira, porque além do espanhol, o guarani também é uma língua oficial do Paraguai.
De volta ao hotel
Saindo do cassino, uma família jantava na área externa do restaurante, mesmo prato que provei. Despreocupados, sorridentes. Parecia uma noite normal de quinta-feira. E era. Em Pedro Juan Caballero, quinta já é fim de semana. Muitos jovens na região da Lagoa Punta Porá, onde a cidade foi fundada no século passado. No trajeto até o hotel, a van parou num engarrafamento. A uns 80 metros, uma discussão entre alguns homens parou o trânsito e assustou o grupo.
“Ah, mas aqui não tem tiroteio. Aqui é assim”, explicou a mesma brasileira que acha complicado ter filho na fronteira, fazendo o gesto de pistola com a mão e apontando para uma cabeça imaginária no assoalho do veículo. Riu. A sirene do carro da polícia tocou de longe e dispersou os homens.
Ao redor da lagoa, diversos restaurantes, churrascarias à moda gaúcha, pizzarias, pubs e até boates. Muita gente bem vestida na rua. Mas, a forte sensação de insegurança e de vulnerabilidade por ser brasileiro nem sequer permitiu que conhecer esses locais passasse pela minha cabeça. E era uma noite normal em Pedro Juan Caballero.
(O repórter viajou a convite da Fecomércio-MS)
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